Petistas fazem festa em SP e Brasília

Lula recepcionou Dilma no Palácio da Alvorada, onde se formou uma fila de carros; na Paulista, show e militância

Tânia Monteira, Karla Mendes, Malu Delgado e Adriana Carranca, de O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2010 | 20h51

SÃO PAULO - De chapéu panamá e camisa vermelha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recepcionou Dilma Rousseff no Palácio do Alvorada para a festa da vitória com um "presidenta" seguido de "valeu, valeu, valeu!". Segundo José Eduardo Dutra e José Eduardo Cardozo, presidente e secretário-geral do PT e coordenadores da campanha, Lula disse que Dilma foi uma "gigante e soube se impor" na disputa.

 

Segundo eles, o candidato derrotado José Serra (PSDB) ligou para a presidente eleita quando ela já estava no Palácio do Alvorada. O telefonema, disse Cardozo, "foi muito cordial".

 

O encontro no Alvorada durou mais de uma hora. Logo após a chegada de Dilma, por volta das 22h40, governadores de partidos aliados juntaram-se à comemoração, provocando um congestionamento na entrada da residência oficial. Também participaram o vice-presidente eleito, Michel Temer, o presidente do Senado, José Sarney, e ministros como Paulo Bernardo (Planejamento), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Orlando Silva (Esportes).

 

Junto à entrada do Alvorada, vários militantes se aglomeraram e gritavam "Dilma! Dilma!". Com tantas autoridades querendo participar da "festa privê", integrantes do PCdoB, como o presidente do partido, Renato Rabelo, o senador Inácio Arruda (CE) e a senadora eleita Vanessa Grazziotin (AM) tiveram de esperar cerca de 30 minutos para entrar.

 

O problema é que o carro dos comunistas fechou a entrada, bloqueando o acesso de outros veículos. Um dos que se irritou com a demora foi Paulo Bernardo, que desceu de seu carro e teve de andar pelo menos 300 metros até a entrada da residência oficial, acompanhado de sua mulher, a senadora eleita Gleisi Hoffman (PT-PR) e os assessores especiais Marco Aurélio Garcia e Clara Ant. Dilma deixou o Alvorada por volta da 0h10 de ontem.

 

Diretório

 

Enquanto a cúpula petista celebrava a vitória em Brasília, funcionários e militantes aglomeravam-se na sala de entrada do diretório do partido em São Paulo, diante de uma TV de plasma, para assistir à transmissão ao vivo da festa na capital federal. A cada comentário dos repórteres, uma reação.

 

"Os alckministas devem estar dando risadas agora", dizia um militante, enquanto, na TV, dizia-se que ninguém sabia do paradeiro de Serra.

 

Quando o jornalista entra ao vivo e anuncia que Lula havia decidido não participar da festa na Esplanada dos Ministérios, para não ofuscar o momento de Dilma, outra petista reagiu: "Tá certo. Um cavalheiro". Não faltaram ironias e críticas aos meios de comunicação. "Olha só as carinhas tristes dos apresentadores", reagiu um petista.

 

Na Avenida Paulista, a festa modesta nem se comparava à catarse de 2002 e 2006, com pessoas amontoadas e emocionadas. Com só uma faixa interditada e diante da ausência dos principais nomes do partido - todos em Brasília -, a festa resumiu-se a militantes efusivos dançando na rua, abraçados em bandeiras, ao som do jingle de Dilma. Os petistas festejaram em apenas uma quadra da Paulista, entre a Rua Joaquim Eugênio de Lima e a Alameda Campinas.

 

Moda

 

Não faltaram modelitos originais para a festa. Vários militantes estavam com camisetas com os dizeres: "Não obedeci ao papa. Sou contra a pedofilia. Votei Dilma". Em outras, os dizeres eram "Dilma Neles" ou "Pelo Brasil, Dilma sim". A organização do PT estimou a presença de 4 mil pessoas. Para animá-las, foram convocados Netinho de Paula, Alceu Valença, Lecy Brandão e o grupo Teatro Mágico.

Na hora dos discursos, subiram ao palco o presidente do PDT, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, e o do PT paulista, Edinho Silva. Para o petista, a vitória de Dilma "marca um reencontro com a história dos que lutaram contra a ditadura". "Esse é um momento histórico. Nenhum historiador poderia prever, no século 21, que um operário chegaria à Presidência, com a maior aprovação da história, e que quem o sucederia seria uma mulher", afirmou Edinho. Apoiador de Dilma no fim do primeiro turno, o deputado Celso Russomanno (PP) também subiu ao palco, mas foi vaiado.

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