Petistas e tucanos vivem clima de guerra no Estado

Segundo políticos locais, o governador Fernando Pimentel (PT) começou a se distanciar de Aécio na campanha de 2014; Outro fator de afastamento é a ação da Corregedoria-Geral do Estado (CGE) que, amparada por Pimentel, passou a investigar irregularidades dentro do governo, inclusive em gestões passadas

BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2016 | 05h05

O recente noticiário policial envolvendo petistas e tucanos mineiros colocou os dois partidos em trincheiras opostas no Estado, enterrando de vez uma convivência que já foi amistosa e até de parceria. Em Minas surgiram os fenômenos “lulécio” (corruptela dos nomes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador tucano e ex-governador do Estado Aécio Neves), em 2006, e “dilmasia” (‘chapa’ que unia Dilma Rousseff e o senador e ex-governador tucano Antonio Anastasia), em 2010.

Segundo políticos locais, o governador Fernando Pimentel (PT) começou a se distanciar de Aécio na campanha de 2014. Os dois chegaram a firmar uma polêmica aliança em 2008 para eleger Marcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte. O distanciamento se acentuou com a divulgação dos voos feitos pelo tucano em aviões oficiais, no ano passado, e hoje os dois não se falam.

Outro fator de afastamento é a ação da Corregedoria-Geral do Estado (CGE) que, amparada por Pimentel, passou a investigar irregularidades dentro do governo, inclusive em gestões passadas. Um dos frutos do trabalho da CGE é a Operação Aequalis, que prendeu o ex-presidente estadual do PSDB Nárcio Rodrigues, aliado de Aécio e Anastasia. Além da CGE, participaram das operação outros órgãos do governo como a Receita Estadual e a Polícia Militar.

Para o PSDB mineiro, isso reforça a desconfiança de orientação política nas investigações. “Por ser uma operação que partiu de dentro do governo, ainda acho que vai se mostrar ser apenas mais um movimento político”, disse o deputado Gustavo Valadares (PSDB), líder da minoria na Assembleia Legislativa.

Um dos reflexos da turbulência é o cenário totalmente indefinido para disputa pela prefeitura de Belo Horizonte. Nenhum dos principais partidos escolheu candidato. O governo Pimentel, para manter a base na Assembleia, decidiu que não vai incentivar nem barrar candidaturas. O PSDB segue indefinido e Lacerda ameaça escolher um nome para sua sucessão sem passar pelo crivo do PSDB. Segundo tucanos mineiros, Aécio desembarca em Belo Horizonte amanhã para tentar orientar o PSDB na disputa pela prefeitura da capital mineira. / R.G.

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