André Dusek|Estadão
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'Se Cunha for emparedado, solta o impeachment', teme petista do Conselho de Ética

Parlamentares da sigla se reúnem antes da sessão do colegiado que vai votar parecer pela continuidade do processo contra o presidente da Câmara e não esconder o temor sobre as ameaças do peemedebista

Igor Gadelha e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2015 | 11h17

Brasília - Os três deputados do PT que integram o Conselho de Ética da Câmara vão se reunir ao meio-dia desta terça-feira, 1, para avaliar se mantêm ou não o voto pela admissibilidade da representação contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por quebra de decoro parlamentar. Até a semana passada, o consenso entre os parlamentares era votar contra o peemedebista, mas os últimos acontecimentos políticos levaram os três petistas a repensarem o posicionamento. A votação do parecer está prevista para 14h30.

"O Cunha tem nas mãos algumas bombas, entre elas o impeachment (da presidente Dilma Rousseff). Nós, por outro lado, temos 20 dias para votar matérias importantes para o governo. Dependendo do que acontecer no Conselho de Ética, pode haver reação", explicou o deputado Zé Geraldo (PT-PA). "O Cunha já mostrou que não dá para confiar nele", emendou. O petista reconhece que, após a prisão do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), o momento é "bastante delicado". Há duas semanas, o deputado tinha dito ao Estado que "votaria com o relator". 

Zé Geraldo negou que o governo tenha feito nova investida contra ele para evitar uma votação contra Cunha. "Passei o fim de semana no interior do Pará e estou chegando hoje a Brasília para refletir sobre meu voto. Se vamos mudar ainda vamos decidir amanhã (terça)", disse o deputado, lembrando que, até a semana passada, a decisão era votar com o relator, Fausto Pinato (PRB-SP), pela admissibilidade. O petista destacou que o posicionamento da bancada continuará a ser unitário no Conselho de Ética.

 

'Emparedado'. Apesar de dizer que seu voto ainda não está definido, Zé Geraldo admite claramente estar disposto a sacrificar seu discurso para tentar salvar a presidente Dilma Rousseff de um processo de impeachment e o governo de uma retaliação a partir da reprovação de projetos importantes. "A minha avaliação é que, se ele (Cunha) for emparedado, solta o impeachment e aí é o pior dos mundos", afirmou o deputado.

Para o deputado, a sessão desta tarde "é política pura" e, mesmo que os petistas saiam da reunião de logo mais com uma definição, a postura deles pode mudar durante a votação. "Não vamos pela salvação do Cunha, vamos votar pelo País, pelo emprego, pela economia", afirmou Zé Geraldo.

Para o petista, a situação do governo ficou ainda mais delicada na semana passada coma  prisão do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (PT-MS). "Nossa avaliação é que o cenário piorou ainda mais com essa instabilidade do Senado. A Casa, que matou no peito muitas pautas bombas, também está enfraquecido", afirmou.

Questionado sobre como explicar para seu eleitorado a mudança de discurso, Zé Geraldo respondeu assim: "Em nome do Brasil, vou me sentir até poderoso se isso resolver a situação do Brasil. Vou me sentir muito útil, muito embora tenha muita incompreensão. Mas meu voto não está definido", afirmou.

 

Na semana passada, o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, se reuniu com parte da bancada do PT na Câmara dos Deputados para pedir apoio ao presidente da Câmara no Conselho de Ética e nas atividades da Casa, para evitar retaliações do peemedebista na votação do ajuste fiscal e com a deflagração do impeachment da presidente Dilma. Como vem mostrando o Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Cunha tem usado os pedidos de afastamento da petista para pressionar o governo por votos favoráveis a ele no Conselho de Ética.

Votos . Deputados próximos ao peemedebista acreditam que ele tem atualmente votos de 9 dos 21 integrantes do conselho (o presidente manifesta-se apenas em caso de empate). Na conta dos aliados, há dois votos do PMDB, dois do PP, dois do PR, um do PSC, um do PSD e um do Solidariedade. O voto do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que disputou o comando do Conselho com apoio de Cunha, ainda não é uma garantia. Interlocutores do peemedebista relatam que Sá desentendeu-se com ele. Agora, sua tropa de choque corre contra o tempo para reconquistar o voto.

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