Petistas criam força-tarefa para ''vender'' Dilma em SP

Ideia é fazer um contraponto às articulações do PSDB pela candidatura presidencial de Serra e ao domínio tucano em território paulista

Julia Duailibi e Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 00h00

A fim de fortalecer em São Paulo a pré-candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o PT organizou uma força-tarefa no Estado para tornar o nome da petista mais conhecido entre os eleitores e militantes no maior colégio eleitoral do País. A ideia é fazer um contraponto às articulações do PSDB em prol da candidatura do governador José Serra e ao domínio tucano em território paulista, onde o partido governa desde 1995.O PT acabou de fechar um calendário com caravanas que vão percorrer 19 cidades até 27 de junho. A meta é que os principais nomes do partido em São Paulo, como a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, o deputado Antonio Palocci (SP) e o senador Aloizio Mercadante (SP) ajudem a divulgar o nome da ministra e a relacioná-la com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De quebra, o PT vê a chance de alinhar o discurso para a corrida estadual e testar a reação da militância a alguns possíveis candidatos, como é o caso de Palocci. Há preocupação na legenda com a visibilidade dos nomes tucanos na disputa, como o ex-governador Geraldo Alckmin, cuja força eleitoral vem principalmente do interior, e o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, que, apesar do desempenho ainda fraco nas pesquisas, tem bom trânsito com prefeitos paulistas."É uma ótima iniciativa porque permite ao partido ir se aglutinando, trocando ideias e propostas. Fortalece as nossas candidaturas de 2010", declarou Marta, que já confirmou ao PT sua presença na série de eventos. Enfraquecida desde a derrota na eleição do ano passado, Marta foi recrutada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ajudar no trabalho de apoio a Dilma, numa manobra para acalmar a pressão de seu grupo para que fosse realocada no governo.Nas caravanas, também serão abordados a crise econômica e o papel do PAC na reativação da economia. Uma das propostas em pauta é que o diagnóstico regional feito nos encontros embase uma série de demandas para serem levadas até Serra no fim do ano, em marcha ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Além da articulação interna, o PT diz ver a necessidade de se contrapor diretamente à movimentação de aliados de Serra. Petistas avaliam que secretários do tucano têm tido a oportunidade de rodar o Estado em atividades de governo, onde aproveitam para promover o nome do governador. "Vamos preparar o partido para o enfrentamento de 2010", justificou o presidente estadual do PT, Edinho Silva. Marta, por exemplo, já ensaia o discurso com os ataques ao governador. "Enquanto Lula anunciou o aumento do número dos que recebem Bolsa-Família e de valores pagos, o governo do Estado contingenciou o social", afirmou a ex-ministra."É fundamental e muito importante que aqueles (no PT) que têm experiência de governo ouçam as pessoas para elaborar um projeto para o futuro", completou o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP).DESVANTAGEMHá 14 anos no poder, o PSDB aumentou sua presença eleitoral no Estado, o que deixa o PT em posição desconfortável. Em 2002, Lula venceu em São Paulo com 55,4% dos votos válidos, ante 44,6% de Serra. Os candidatos petistas e a própria legenda tiveram, juntos, mais de 35 milhões de votos no primeiro turno, contra 25 milhões de votos obtidos pelos tucanos em São Paulo. Uma diferença de 10 milhões de votos.Em 2006, o sinal inverteu. O então candidato tucano, Geraldo Alckmin, ganhou no Estado, apesar de ter sido derrotado por Lula - teve 1 milhão de votos a mais no segundo turno. No primeiro, os tucanos levaram 33 milhões de votos, ultrapassando os 31 milhões dos petistas.

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