Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Petistas comparam Cardozo a ministro que não previu golpe militar

Por ações da PF, ministro da Justiça foi comparado na internet com general Argemiro Assis Brasil, chefe da Casa Militar de João Goulart

Isadora Perón e João Villaverde, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2015 | 17h34

Brasília - Após o PT cobrar explicações do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) sobre a ação da Polícia Federal na Operação Lava Jato, integrantes da sigla voltaram a criticar o ministro nas redes sociais. 

O ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado no julgamento do mensalão, retuitou um correligionário mineiro que comparou o controle que Cardozo tem em relação à Polícia Federal com a que o general Argemiro Assis Brasil, chefe da Casa Militar, tinha sob seus pares quando João Goulart foi deposto da presidência pelo golpe de 1964.

“O general Assis Brasil garantia o ‘esquema’ militar de Jango. Algo como a PF ‘republicana’ do Cardozo. Deu no que deu”, afirmou Paulo Tadeu, que no Twitter se descreve como ex-prefeito de Poços de Caldas (MG), vereador e fundador do Partido dos Trabalhadores. A mensagem publicada na rede social traz uma montagem com uma foto de Assis Brasil e outra de Cardozo ao lado da presidente Dilma Rousseff.

A cobrança dos petistas fez com que o ministro cogitasse deixar o cargo. Homem de confiança da presidente, ele decidiu permanecer no ministério após conversar com a petista esta semana.

Assis Brasil passou à história como uma autoridade que desconhecia a amplitude da movimentação anti-governo na véspera do golpe de 31 de março de 1964, comandado pelos próprios militares do qual ele fazia parte - e de certa forma comandava.

No dia do golpe, Assis Brasil estava no Rio de Janeiro, que à época ainda concentrava praticamente toda a estrutura federal, apesar de já ter deixado de ser a capital do Brasil há quase 4 anos naquele momento. Quando informado da agitação da tropa em Minas Gerais, Assis Brasil entrou em contato com a direção do antigo 1º Exército, que era responsável pelas bases no Rio, em Minas e em Espírito Santo. O general foi convencido de que nada havia de errado. Apesar disso, no próprio Rio, as tropas já tinham iniciado o levante contra o presidente da República.

Ao final do golpe, na madrugada de 2 de abril, Assis Brasil, que tinha ido ao encontro de João Goulart em Brasília no dia anterior, embarcou com o presidente deposto até o Rio Grande do Sul e, de lá, para o Uruguai. Jango, como era chamado Goulart, nunca mais voltaria ao Brasil. Já o general, seguindo a hierarquia militar, retomou ao País em 4 de abril e foi imediatamente preso pelo novo regime. Depois, Assis Brasil foi demitido do Exército e, até a Lei da Anistia, de 1979, viveu como professor particular. Morreu em junho de 1982 e o presidente da República, naquele momento, ainda era um militar, João Figueiredo.

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