Petistas atacam para tentar aumentar a rejeição de rival

Dilma afirma que Aécio'precisa aprender a respeitar as mulheres';comitê diz que partido só reage a 'ódio eleitoral'

RICARDO GALHARDO, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2014 | 02h00

A campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff chegou à conclusão de que há poucas chances de obter mais apoiadores daqui até o dia da votação, no domingo que vem, razão pela qual não pretende abandonar os ataques ao adversário Aécio Neves. Com isso, o comitê petista espera aumentar a rejeição do adversário, reduzindo suas chances.

A tática da vitimização, já ensaiada no final da semana passada com discursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também será explorada.

A própria Dilma entrou no assunto no domingo, antes do debate da TV Record. Disse que Aécio precisa “aprender a respeitar as mulheres”. “Com mulher não pode ser assim”, disse.

Na internet, o comitê de Dilma lançou a campanha “Mais Dilma, Mais Amor”, na qual combate o “ódio eleitoral” e usa como exemplos casos de petistas agredidos nas ruas por tucanos nas últimas semanas. 

Os petistas tem uma preocupação especial com o debate da TV Globo, nesta sexta-feira, que classificam como decisivo. “Sempre tem aquele impacto”, diz o presidente do PT, Rui Falcão.

Enquanto isso as propagandas na TV e principalmente no rádio e na internet continuam divulgando denúncias contra Aécio. No domingo, um texto sobre a “dificuldade de Aécio em respeitar as mulheres” teve destaque especial na página da campanha da petista na internet.

Os integrantes do comitê da campanha à reeleição estão guardando munição contra o tucano. Afirmam que Dilma “não vai apanhar calada” caso seja agredida pelo adversário.

Em outra frente, o PT vai tentar atrair o eleitorado que votou em Marina Silva (PSB) no 1.º turno. O principal alvo é a classe média que historicamente votava no PT e nesta segunda-feira rejeita o partido.

Para isso a campanha de Dilma convocou artistas e intelectuais para um ato nesta segunda-feira no Tuca – histórico teatro na PUC de São Paulo –, com a presença de intelectuais petistas, além de reforços de última hora, como o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB, e o antigo desafeto Francisco Oliveira, cientista político que estava afastado do PT desde o início do governo Lula, em 2003.

Nas viagens, o foco da campanha será o Sudeste, com destaque para São Paulo, onde o PT sofreu uma derrota acachapante no 1.º turno – obteve apenas 26% dos votos. A estratégia é explorar a crise de abastecimento de água, como fez na propaganda eleitoral na TV domingo. “Mostraremos propostas para saúde e emprego, mas em São Paulo é água, água e água”, diz o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Para consolidar a liderança no Nordeste, Dilma vai colar sua imagem à de Lula. Ambos participarão de ato no centro do Recife na terça-feira. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, finalmente foi convencida a se integrar à campanha. Ela vai ao evento no Tuca e deve participar de atividades na periferia da capital paulista. / COLABOROU ISADORA PERON

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