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Petistas articulam reação contra mudança na reforma

Deputados petistas do chamado campo majoritário, ala do PT mais ligada ao Palácio do Planalto, reagiram contra a mudança na proposta original de reforma da Previdência que mantém a aposentadoria integral dos servidores públicos. A alteração foi acertada entre os líderes dos partidos aliados e o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e está em estudo pelo governo. Esse grupo petista está articulando uma reação formal e conjunta na tentativa de impedir que o governo retire um dos pilares da reforma: o fim da aposentadoria integral. Fazem parte desse grupo, deputados que integram a chamada tropa de choque que defende o governo, e que tiveram atuação forte contra os chamados radicais que criticavam a proposta original de reforma enviada ao Congresso. "Vamos tentar influenciar o governo antes de o acordo ser fechado", afirmou o deputado Paulo Bernardo (PT-PR). Bernardo, que justiticou que o governo ainda está analisando a alternativa, disse não concordar com a possibilidade de se manter aposentadoria integral para os trabalhadores que entrarem no serviço público após a promulgação da reforma. "Não faz sentido tratar igualmente os atuais e os futuros servidores", afirmou. Ele vai tentar restringir a integralidade aos atuais servidores públicos. O deputado se preocupa também com o eventual desgaste de autoridade do governo caso venha a aceitar essa alternativa. Estratégia A primeira reação indignada do chamado campo majoritário do PT ao acordo foi na noite de ontem, quando os deputados reclamaram do recuo do governo na reunião da bancada que tinha sido marcada para discutir a reforma tributária. A manifestação foi crescendo durante o dia de hoje até que o grupo decidiu formalizar uma posição e montar uma estratégia de atuação em reunião que ficou marcada para a próxima terça-feira. "É um equívoco de conteúdo e de método o governo abrir negociação que só favorece os segmentos que recebem os maiores salários. Se o governo avalia que pode abrir mão de arrecadação com a aposentadoria integral, que amplie o teto de isenção da contribuição dos inativos de R$ 1.058 para R$ 2.400 e que abra o diálogo com categorias mais prejudicadas", afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Para exemplificar, o deputado cita hipoteticamente o caso de um pedreiro funcionário de uma prefeitura que tem um salário de R$ 1.058. Ele argumenta que, pela proposta original, esse pedreiro tem garantida sua aposentadoria integral, mas, pela proposta em discussão, ele terá de trabalhar e contribuir por mais cinco anos para garantir o benefício de R$ 1.058 que já tem garantido na proposta. "Uma coisa é um juiz trabalhar até os 65 anos e outra coisa é o pedreiro", afirmou Pimenta. Em defesa da proposta original do governo, Pimenta argumentou também com as decisões anteriores do PT. O partido aprovou resolução defendendo a Previdência universal com o mesmo teto de benefício para trabalhadores da iniciativa privada e para o serviço público e com Previdência complementar. Essa mesma resolução era usada pelo presidente do PT, José Genoino, para combater os radicais que não concordavam com a proposta original de reforma encaminhada pelo governo ao Congresso. O líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA), que enfrentou a reação dos radicais contra o fim da aposentadoria integral quando a proposta de reforma foi enviada ao Congresso, diz considerar "natural" a divergência. Pellegrino defende a integralidade das aposentadorias do servidores públicos. "É uma boa proposta e vou defender que a bancada a encampe", disse o líder. Ele afirmou que o Diretório Nacional do partido, com reunião marcada para o próximo final de semana, irá tratar da questão. Pellegrino informou que bancada tirou uma comissão para conversar na reunião com os representantes do governo para saber oficialmente que rumo o Palácio do Planalto pretende seguir nas discussões.

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