Petista tentará CPI na Câmara para enfraquecer a do Senado

Deputado precisa de 171 assinaturas para nova comissão sobre a Petrobras ou quer propor CPI mista

Evandro Fadel, de O Estado de S. Paulo,

18 de maio de 2009 | 12h13

O deputado federal André Vargas (PT-PR) defendeu nesta segunda-feira, 18, em Curitiba, a transformação da CPI, criada no Senado para investigar denúncias contra a Petrobras, em uma CPI mista da qual participem também deputados federais. Caso não consiga esse intento, ele pretende que seja criada uma nova comissão de inquérito, desta vez reunindo as duas Casas. "O ideal é ter uma só, mas com equilíbrio de forças, com equilíbrio de avaliações", disse. O objetivo de uma nova comissão é enfraquecer a CPI instalada na última sexta-feira.

 

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Ele adiantou que seus assessores sairiam a campo nesta segunda para coletar as 171 assinaturas necessárias. "Amanhã (hoje), os líderes vão se reunir para discutirmos essa alternativa", afirmou. "Se eles (senadores oposicionistas) querem uma CPI equilibrada, nós queremos que os deputados também participem." Segundo o deputado paranaense, "há uma avaliação de que uma CPI irresponsável como essa possa interferir, inclusive, na valorização da empresa".

 

Vargas destacou que não se trata de impedir a investigação de alguma irregularidade. "Mas que isso seja feito no Parlamento", reforçou. Ele acredita que o objetivo da investigação no Senado é antecipar as eleições de 2010. "Para evitar que tome esse cunho eleitoral nós queremos participar, e a Câmara é legítima para isso", afirmou. Para ele, o que existe é uma discussão sobre uma das refinarias da Petrobras, a Abreu e Lima, em Pernambuco, sobre a qual há denúncias de possíveis irregularidades no licenciamento. "Mas esta é uma investigação prévia do Tribunal de Contas da União (TCU)", ponderou.

 

Outra tentativa de desviar as atenções é o depoimento do presidente da empresa, Sérgio Gabrielli. O PSDB já avisou que não se opõe a ouvir a Petrobras, mas que isso não será "moeda de troca" para impedir a instalação da CPI destinada a investigar supostas irregularidades na estatal de petróleo. "Não tapo meus ouvidos para ninguém, mas uma coisa não invalida a outra", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), ao lembrar que a existência da CPI não está em jogo, porque a decisão de instalar a comissão já foi tomada.

 

Nem o Palácio do Planalto contesta mais o fato consumado da CPI, a partir da leitura do requerimento, feito na sexta-feira passada, pedindo a abertura da investigação. O requerimento tem agora 30 assinaturas de senadores - três a mais do que as 27 que o regimento pede. A oposição aproveitou o confronto entre a Petrobrás e a Receita Federal por conta de compensações fiscais que renderam R$ 4 bilhões à estatal para aprovar a comissão.

 

A preocupação do governo é não permitir que haja prejuízos para a Petrobrás num momento de crise mundial, quando o Brasil está respondendo melhor que muitos países. Os governistas argumentam que a Petrobrás é um instrumento poderoso para alavancar investimentos.

 

(Com Christiane Samarco e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo)

 

Texto ampliado às 14h17

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