Petista reclama que falta oposição para discutir Previdência

O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) lamentou hoje que os partidos de oposição ao governo Lula estejam a favor da reforma da Previdência. "Esses partidos estão aceitando negociações para apoiar o governo, uns ostensivamente e outros de forma subreptícia. Esse é o grande perigo do momento, essa ausência de oposição, impedindo que o debate seja feito", discursou o petista, na manifestação que reuniu 300 juízes, promotores e funcionários do Judiciário contra a reforma.Também estiveram no ato público, no Tribunal de Justiça, os parlamentares do Rio Jandira Feghali (PC do B), Alexandre Cardoso (PSB) e Júlio Lopes (PP), além do presidente do Tribunal de Justiça, Miguel Pachá. Durante o ato foram recolhidas propostas que serão levadas às associações nacionais no próximo dia 26. Entre elas consta uma paralisação de um dia, para protestar contra mudanças como a taxação dos servidores inativos e o fim da aposentadoria com valor integral do salário. Houve sugestão até de realização de uma greve geral, com trabalhadores dos setores público e privado.Os magistrados protestaram contra a idéia de que as aposentadorias passem a ser garantidas por previdência complementar privada. "Estão privatizando a Previdência", criticou o ex-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, aplaudido de pé pelos manifestantes. A deputada Jandira Feghali disse que alguns pontos até poderão ser modificados na comissão especial, mas que o governo está irredutível no que a ela considera "o mais grave" na proposta. "Não vejo sinal de recuo na essência da proposta, que é transformar a aposentadoria de vocês em capital de risco. Não é ilegal, mas é imoral e ilegítimo."O presidente da associação estadual e também na associação nacional dos Membros do Ministério Público, Marfan Vieira, acusou o governo de dar ?um cavalo de pau ideológico, trazendo um modelo de Estado que foi repudiado pela população" nas eleições do ano passado. Promotores e juízes cobraram dos deputados uma ação contra a reforma proposta por Lula.Já o presidente da Associação de Magistrados do Rio de Janeiro (Amaerj), Luís Felipe Salomão disse que, se não houver recuo do governo em alguns pontos da proposta, os juízes e funcionários do Judiciário partirão para medidas mais duras. "Nesse caso, devemos radicalizar e estarão valendo todas as propostas, inclusive paralisação", avisou Salomão.

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