Agência Câmara
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Petista propõe que votação sobre futuro de Cunha ocorra em um domingo

Paulo Pimenta (RS), vice-líder da bancada do partido na Câmara, defende que o processo contra o deputado peemedebista seja analisado nos moldes da votação do afastamento da presidente Dilma Rousseff

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2016 | 15h26

BRASÍLIA - Satisfeito com o andamento do processo que pede a cassação do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o vice-líder da bancada do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), sugeriu que a sessão plenária que decidirá o destino político do peemedebista ocorra num domingo. Na questão de ordem formulada pelo petista, ele defende que o processo contra Cunha seja analisado nos mesmos moldes da votação do afastamento da presidente Dilma Rousseff. A expectativa é que o pedido de cassação do peemedebista só vá a votação em meados de julho.

"Solicito que a sessão de cassação do mandato de Eduardo Cunha seja realizada em observância ao mesmo rito estabelecido para a votação do dia 17 de abril: num domingo à tarde, em processo de chamada nominal, com a alocação de um púlpito no centro do plenário. Estou pedindo que vossas excelências, que foram tão cuidadosos, que tinham tanto interesse que o Brasil acompanhasse a sessão contra Dilma, tenham a mesma conduta", pediu o petista.

Considerado um dos homens mais influentes da República, o presidente afastado da Câmara viu ontem seu poder dar passos largos rumo ao fim. Em uma sessão histórica do Conselho de Ética, marcada pelo voto aberto e no microfone, exatamente como impôs na aprovação do afastamento de Dilma, Cunha assistiu da residência oficial o colegiado aprovar o pedido de cassação de seu mandato. Sua chance de escapar da punição agora é se a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovar um parecer mudando o rito de votação do processo por quebra de decoro parlamentar, o que permitiria a aplicação de uma punição mais branda em caso de derrota da proposta de perda de mandato. A cassação do mandato será votada em plenário.

Após 225 dias de tramitação, idas e vindas proporcionadas por manobras regimentais de aliados do peemedebista que retardaram o andamento do processo disciplinar, o conselho aprovou por 11 votos a nove o parecer do relator Marcos Rogério (DEM-RO). Com os votos de Tia Eron (PRB-BA) e de Wladimir Costa (SD-PA), este último defensor de Cunha até o último momento, os deputados concluíram que Cunha mentiu à CPI da Petrobras no ano passado ao negar que possuía contas no exterior. Não foi necessário o voto de desempate do presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA).

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