Petista prepara 'vacinas' contra crise da Petrobrás

Dilma pede que ministros preparem capítulo sobre gestão e corrupção para ser incluído em plano de governo, ainda sem data para ser lançado

VERA ROSA , RICARDO DELLA COLETTA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2014 | 02h06

Após decidir "segurar" o anúncio de sei plano de governo, a presidente Dilma Rousseff pediu a ministros a elaboração de um capítulo específico sobre gestão pública, tendo como eixos temas da campanha, como combate à corrupção, melhora no atendimento ao cidadão, modernização da máquina e de "políticas transversais" nas ações cotidianas.

O capítulo adicional pedido por Dilma - após denúncias feitas pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa sobre desvio de dinheiro na estatal em benefício de políticos - é mais um antídoto para ser usado contra sua principal adversária, Marina Silva (PSB). De quebra, ataca o "choque de gestão" defendido pelo candidato do PSDB, senador Aécio Neves.

A presidente pediu a colaboração dos ministros Miriam Belchior (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil) nessa tarefa. Embora a propaganda petista já tenha mirado no combate à corrupção, destacando as ações do governo para atacá-la, Dilma quer uma nova embalagem para o assunto "gestão", com o objetivo de sair da defensiva. O objetivo do PT é carimbar Marina, ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula, como uma política "despreparada" para a gestão pública.

Dilma resolveu adiar por tempo indeterminado a divulgação de um programa de governo mais completo, conforme antecipou o Estado na edição de quarta-feira, após perceber que, em vez de criar uma agenda positiva, o documento poderia ser usado por rivais para desgastar sua candidatura, como ocorreu com Marina Silva - a única entre os principais candidatos a divulgar um documento até agora.

Segundo um ministro do PT que pede para não ser identificado, o "programa de governo não ganha a eleição, mas ajuda a perder". Ele lembra que Marina lançou sua plataforma no fim de agosto e, um dia depois, publicou uma "errata", retirando apoio a bandeiras do movimento gay.

Foi também a partir desse texto, com mais de 200 páginas, que o PT passou a acusar Marina de defender a redução do papel dos bancos públicos e de relegar o pré-sal a segundo plano.

A decisão de Dilma de adiar o anúncio de seu programa causou protestos no PT, uma vez que 29 grupos setoriais - entre eles o de direitos humanos, LGBT, trabalho e emprego) - já entregaram suas propostas, hoje em fase de sistematização. Agora, há cobranças no partido para que a presidente lance ao menos um "resumo" no primeiro turno e um documento mais elaborado na provável segunda rodada da disputa. Ninguém sabe, porém, o que vai ser feito.

Ao Estado, Dilma disse, na semana passada, que seu programa "é mais modernoso" e as propostas já vem sendo divulgadas no horário político de TV e na internet. "Vamos fazer uma coisa bem mais modernosa que o 1.0. Sabe o 1.0, que ninguém lê?", perguntou ela aos repórteres do jornal, numa referência às formas tradicionais de divulgação de conteúdo. "Quem interessa não lê, que é o povo". Na ocasião, ela também indicou que não poria no papel sua promessa de articular no Congresso a aprovação do projeto que torna a homofobia um crime.

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