Petista pede inspeção em cela de acusada

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, pediu à 10.ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, uma inspeção nas condições de prisão da empresária Cristina Mautoni, acusada de integrar suposto esquema de "compra" de medidas provisórias no governo federal.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2016 | 02h02

A solicitação foi feita após a defesa da ré e de seu marido, o lobista Mauro Marcondes Machado, aventar um acordo de delação premiada com investigadores da Operação Zelotes.

Num ofício enviado ao juiz do caso, o petista alega ter recebido denúncia de maus-tratos na Superintendência da Polícia Federal em Brasília à empresária, cujo estado de saúde inspiraria cuidados. Advogados da ré reclamaram nos últimos dias que as condições dela na prisão são inadequadas e, articulados com outros defensores, preparam um manifesto com o objetivo de tirá-la do regime fechado. No entanto, um laudo de dois médicos da Polícia Federal diz que "não há razões de ordem médica" para que ela passe ao regime domiciliar.

Delação. A prisão da empresária é um dos principais fatores que podem influenciar possível delação de Marcondes. Advogados e investigadores dizem, reservadamente, que o lobista pode implicar outros réus se decidir colaborar com a Zelotes para livrar a mulher do regime fechado. Ele completa 80 anos em abril e deve se beneficiar com o regime domiciliar, mas Cristina, mais nova, não conta com essa possibilidade.

O depoimento de Cristina foi antecipado para hoje, em outra estratégia da defesa para convencer o juiz Vallisney de Souza Oliveira de que ela pode ser solta. Sexta-feira, a Justiça concedeu liminar para que a empresária fique numa sala especial, a mesma que abrigou o senador Delcídio Amaral (PT-MS). O Ministério Público dará parecer a respeito.

O local não tem grades e o banheiro é o mesmo usado pelos policiais. Como é uma presa comum, ela inicialmente estava numa cela padrão, na carceragem da Polícia Federal.

Cristina é sócia do marido na Marcondes e Mautoni Empreendimentos, que teria operado pagamentos para viabilizar as MPs. A empresa repassou R$ 2,5 milhões a um dos filhos do ex-presidente Lula, Luís Cláudio Lula da Silva. O caso foi revelado pelo Estado em outubro e está sob investigação.

Cristina tem acompanhado as audiências de seu processo, iniciadas na semana passada, de cadeira de rodas. / FÁBIO FABRINI e ANDREZA MATAIS

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