Petista lidera visita de nova comitiva do Senado à Venezuela

Após viagem frustrada de colegas opositores, senadores de PT, PSOL, PSB e PMDB cumprirão agenda amigável no país governado por Maduro

ISADORA PERON / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2015 | 02h07

Depois da turbulenta passagem da comitiva de senadores da oposição pela Venezuela na semana passada, uma nova comissão, formada por parlamentares do PT e de outros partidos de centro-esquerda, vai desembarcar em Caracas amanhã à noite, onde pretende cumprir, no dia seguinte, uma agenda de encontros com representantes do governo e da oposição.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou a data da viagem na tribuna do Senado ontem. Ele criticou a "falta de isenção e de imparcialidade" da comitiva liderada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) e disse que o papel dos senadores brasileiros é buscar o diálogo com os dois lados, para não agravar ainda mais a crise política instalada no país vizinho.

"Como comissão oficial do Senado, os senadores que foram à Venezuela deveriam ter papel equilibrado, de bombeiros, não de incendiários. Faltou isenção e imparcialidade diante de uma situação delicadíssima na Venezuela", disse o petista.

A comitiva com oito senadores que desembarcou em Caracas na quinta-feira passada tinha como objetivo visitar opositores do governo Nicolás Maduro, mas não conseguiu chegar ao presídio onde estão detidos os presos políticos e teve de retornar ao Brasil no mesmo dia.

Os parlamentares acusaram o governo venezuelano de, de forma deliberada, ter provocado o trânsito que bloqueou o caminho da comitiva, e reclamaram da falta de assistência da diplomacia brasileira. "É o Congresso Nacional brasileiro que está sendo atingido. Isso não aconteceria se, de alguma forma, não houvesse conivência do governo (brasileiro). Estamos em uma visita oficial. Não podemos estar expostos desse jeito", afirmou Aécio na ocasião. O Ministério das Relações Exteriores chamou de "inaceitáveis" os incidentes.

'Factoide'. Lindbergh, por sua vez, acusou os colegas da oposição de tentar produzir um "factoide" político. Segundo o petista, o novo grupo de parlamentares vai tentar conversar não só com integrantes do governo, mas também da oposição, a começar pelas mulheres dos presos políticos e o governador de Miranda, Henrique Capriles.

Além do petista, devem viajar a Venezuela os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) e Telmário Mota (PDT-RR). Assim como os senadores oposicionistas, o grupo também solicitou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar ao país vizinho, mas ainda não obteve uma resposta do governo a respeito do uso do avião militar.

Chapa-branca. Aécio criticou a iniciativa dos colegas e classificou a nova comitiva de "chapa-branca". O tucano também rebateu as críticas de que deveria ter procurado estabelecer contato com representantes do governo de Maduro. "Infelizmente, o que nós estamos vendo é o conforto que alguns senadores manifestam na companhia do senhor Maduro, mas nós da oposição não nos sentimos confortáveis", disse o tucano.

Aécio afirmou também não ser verdadeira a informação de que eles haviam sido avisados previamente pela diplomacia brasileira que o embaixador do Brasil na Venezuela, Ruy Pereira, não iria acompanhá-los nas atividades em Caracas.

Segundo o tucano, ele só soube disso quando chegou ao país vizinho e, mesmo assim, o embaixador havia dito que um conselheiro do corpo diplomático iria acompanhá-los, algo que não aconteceu.

O senador rechaçou ainda a possibilidade de integrar a nova comitiva, como chegou a sugerir Lindbergh. "Isso não tem sentido. Chega a ser risível. Eu desejo a eles uma boa viagem e que possam cumprir o seu papel, e, se tiverem um tempo, espero que façam aquilo que nos foi impedido: visitem os presos políticos e digam o que pensam em relação ao que vem ocorrendo na Venezuela", disse.

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