Petista gruda sua imagem à dos padrinhos

Em busca dos votos perdidos para Celso Russomanno (PRB) na periferia, o candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, vai nacionalizar a disputa na última semana de campanha, batendo na tecla do compromisso com os mais pobres. A estratégia terá tom emocional na despedida de Haddad na propaganda de TV. Tudo foi planejado para convencer o eleitor de que quem gosta da presidente Dilma Rousseff e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, vota em Haddad, e não em Russomanno.

AE, Agência Estado

30 de setembro de 2012 | 09h21

Com Dilma e Lula em seu palanque, no comício marcado para amanhã em Guaianases, zona leste, Haddad vai investir no discurso de que quem lançou programas pelos mais pobres no Brasil foi o governo federal do PT. Usará esse argumento para dizer que ele é o candidato credenciado para fazer o mesmo por São Paulo. A tática consiste em carimbar Russomanno como adversário "sem projeto e sem força política" e em associar o candidato do PSDB, José Serra, ao prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Haddad está tecnicamente empatado com Serra, de acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto, e Russomanno ocupa o primeiro lugar. Na avaliação de Lula, se a campanha do PT conseguir desconstruir Russomanno e reconquistar redutos do partido na periferia, Haddad chegará no dia da eleição (7 de outubro) à frente de Serra, com apoio na casa de 25%.

Empenhado em eleger o ex-ministro da Educação para fincar estacas do PT em São Paulo, Lula vai participar da caminhada final da campanha, no centro, na sexta-feira. "Nesses dias que faltam até a eleição podemos fazer o milagre da multiplicação dos votos", disse o ex-presidente.

A ideia do PT é destacar Haddad como integrante do "time" de Lula e Dilma. A dupla também aparecerá no último programa de TV do petista, na quarta-feira.

"Vamos falar com o nosso público", resumiu o vereador Antonio Donato, coordenador da campanha de Haddad. "Além disso, a lembrança de que Serra representa Kassab será, mais uma vez, reforçada."

O PT insiste em jogar os holofotes sobre a aliança entre os dois para potencializar a rejeição de Serra, já que Kassab tem desaprovação na faixa de 44%, segundo pesquisas. A equipe petista ainda quer explorar o mote de que Serra abandonou a Prefeitura, em 2006, e pode usar o mesmo expediente agora, se eleito.

Apesar de mirar os mais pobres nos últimos dias da disputa, o comando da campanha de Haddad também tenta atrair eleitores da classe média que se afastaram do PT após o escândalo do mensalão. Na tentativa de demonstrar que Haddad tem prestígio no meio cultural, o PT promoverá, na terça-feira, um ato com intelectuais e artistas que apoiam sua candidatura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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