Petista era 'elo' entre Dantas e o Executivo, diz procurador

MP pediu a prisão de Luiz Eduardo Greenhalgh, mas a Justiça negou; além do banqueiro, PF prendeu 16 pessoas

ANNE WARTH, Agencia Estado

08 de julho de 2008 | 19h15

O procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelas investigações que resultaram na Operação Satiagraha, deflagrada nesta terça-feira, 8, pela Polícia Federal (PF), afirmou que o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) seria "o elo" entre o grupo formado pelo sócio-fundador do Banco Opportunity,  Daniel Dantas, com os poderes Executivo e Legislativo.   Em entrevista na sede da PF em São Paulo, Grandis disse que as interceptações telefônicas feitas na operação mostram que o ex-deputado era, inclusive, chamado por dois apelidos: Leg e Gomes. O procurador lamentou o fato de o juiz ter indeferido os mandados de prisão, busca e apreensão referentes ao ex-deputado por suposta participação na "organização criminosa de Dantas".    Veja também: Imagens da Operação Satiagraha Opine sobre a prisão de Dantas, Nahas e Pitta  PF prende Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas Entenda as acusações contra Dantas e Nahas Defesa diz que Dantas foi preso por vingança Mandados de prisão atingem familiares e funcionários de Dantas As ações da Polícia Federal no governo Lula Os 40 do mensalãoA PF informou na noite desta terça-feira que já prendeu 17 pessoas, como resultado das investigações da Operação Satiagraha, esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Dentre os presos, estão o sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. No total, foram expedidos 24 mandados de prisão. A PF cumpriu também 56 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. Entre os materiais apreendidos estão computadores, documentos e veículos, além de dinheiro, que ainda está sendo contabilizado. Em apenas um local, a PF encontrou R$ 1.180.650,00.   Ainda na entrevista, o procurador afirmou que o grupo liderado por Dantas teria realizado algumas operações em conjunto com o grupo liderado pelo investidor Naji Nahas, que atuava como uma espécie de banco e praticava as chamadas operações dólar-cabo, que envolve o envio de recursos ao exterior sem o conhecimento do Banco Central (BC). Com relação ao ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, Grandis disse que ele seria um dos principais clientes de Nahas e recebia grandes quantias de dinheiro sem qualquer atividade que justificasse este recebimento.SigiloO delegado da PF Protógenes Queiroz, coordenador das investigações da Operação Satiagraha, foi questionado ainda, durante a entrevista coletiva, se o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e o ministro da Secretaria de Planejamento Estratégico, Mangabeira Unger, estão sendo investigados por suposto envolvimento com o grupo liderado pelo ex-banqueiro Daniel Dantas. Em resposta, Protógenes disse que essas informações estão sob sigilo. "Ainda não pode ser fornecida ou contextualizada a conduta dessas duas pessoas e o envolvimento delas com a organização comandada por Daniel Dantas."O delegado afirmou ter ficado surpreso com a informação de que Naji Nahas receberia informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). "Quanto aos indícios de fraude no Fed, muito nos surpreendeu a habilidade de Naji Nahas devido ao megacontato que ele teria no Brasil e no exterior, e que nos conduziu a ter indícios de manipulação do mercado financeiro internacional e até mesmo a taxa de juros do Fed, em que ele se privilegia antecipadamente de informações e passa a aplicá-las no mercado financeiro nacional." O delegado não informou quais informações e sobre qual período de tempo Nahas teria manipulado, sob a justificativa de sigilo.   Texto ampliado às 19h50

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