Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Petista é acusado de usar rede estatal para difamar Aécio

Tucano obteve dados do Twitter em ação judicial e identificou servidor que trabalha em Minas como autor de ofensas na web

O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2015 | 23h09

São Paulo - Informações entregues pelo Twitter ao Judiciário de São Paulo e posteriormente repassadas aos advogados do senador Aécio Neves (PSDB-MG) mostram que redes do Ministério da Fazenda e do Serpro, empresa estatal de processamento de dados do governo federal, foram usadas por um militante do PT que é acusado de disseminar informações difamatórias contra o tucano. 

Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira, 17, no jornal Folha de S.Paulo, o autor das postagens é um funcionário do Serpro em Belo Horizonte chamado Márcio de Araújo Benedito. De acordo com o texto, ele é filiado ao PT e membro da comissão de ciência e tecnologia da legenda. 

A assessoria jurídica do senador diz que ainda estuda quais providência tomará contra o suposto autor das mensagens, que acusam Aécio de traficar e consumir drogas, e que outros usuários estão sob análise.

A advogada Juliana Abrusio afirmou que os dados do Twitter “revelam que vários perfis estavam sendo utilizados para caluniar Aécio Neves, em uma ação articulada e organizada, visando disseminar ofensas e mentiras”. “Não se sabe ainda quantas pessoas participaram dos ataques, já que são vários perfis envolvidos, sendo que o comportamento de alguns perfis era bastante anormal na rede.”

O perfil de Benedito é um dos 55 que foram alvo de ação judicial do PSDB durante a campanha presidencial do ano passado. O tucano pediu à Justiça a quebra de sigilo dos perfis para identificar os autores das postagens. 

Depois de analisar o conteúdo do material enviado pela rede social de microblogs, o juiz Helmer Augusto Toqueton Amaral permitiu que os advogados tivessem acesso aos dados pessoais de 20 usuários. 

Ouvido pela Folha de S.Paulo, Benedito negou que tenha feito postagens vinculando Aécio ao tráfico e consumo de drogas. Segundo o petista, os comentários se restringiam a opiniões sobre a gestão do tucano à frente do governo de Minas, entre 2003 e 2010. O funcionário do Serpro argumentou que as postagens foram feitas de sua conta pessoal, e não podem se misturar às do trabalho. 

Polêmica. A decisão da Justiça de determinar que o Twitter entregasse os dados de um usuário da rede ao tribunal ocorre um mês após o senador perder uma outra ação judicial, movida contra os maiores sites de busca da internet – Google, Bing e Yahoo. 

O processo corria desde 2013 e tentava impedir que as buscas relacionassem o nome de Aécio a notícias desfavoráveis, como o suposto desvio de recursos públicos na gestão tucana em Minas. Na campanha de 2014, tucanos e petistas travaram uma “guerra suja” e se acusaram de usar perfis falsos e outras ferramentas para difamar o adversário na internet.

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