André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Petista defende que oposição faça obstrução de votação da intervenção do Rio

José Guimarães (PT-CE) disse que decreto é 'superficial': 'É tudo no escuro, não se tem certeza de nada'

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2018 | 17h09

Líder da minoria na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE) defendeu hoje que a oposição obstrua a sessão marcada para votar nesta segunda-feira o decreto de intervenção no Rio de Janeiro. Após reunião do Conselho da República com o presidente Michel Temer, Guimarães disse que o decreto é superficial e cobrou do governo informações sobre os recursos que serão empregados na segurança pública do Estado e em quais condições as Forças Armadas irão atuar.

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Em entrevista coletiva, Guimarães disse que na reunião da manhã  desta segunda-feira o governo não apresentou um diagnóstico do problema e só informou que enviará em breve um projeto ao Congresso definindo os valores que serão destinados para a intervenção. "É tudo no escuro, não se tem certeza de nada", comentou. Por ser uma questão de Estado, o parlamentar disse que o governo federal deveria ter consultado o conselho antes e não ter tomado uma decisão unilateral.

Segundo Guimarães, um dos generais presentes questionou o fato de não haver um plano negociado com o Judiciário para evitar que os suspeitos presos durante as operações sejam liberados pela Justiça no dia seguinte. "Tudo isso tinha de ser pensado", afirmou. O deputado acredita que outras medidas poderiam ter sido adotadas no lugar da intervenção.

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O petista também criticou o governador Luiz Fernando Pezão por ter aberto mão de suas atribuições. "Era melhor renunciar logo", concluiu. O líder de oposição acredita que o Secretário Geral da Presidência, Moreira Franco, é o verdadeiro "mentor" da intervenção, já que na década de 80 se elegeu ao governo fluminense com a promessa de que acabaria com o crime organizado no Estado.

Guimarães disse que a oposição se absteve de votar a favor da intervenção na reunião desta manhã porque ainda não há uma posição clara de todos os líderes do bloco sobre o tema. O grupo deve se reunir no final da tarde para discutir a estratégia que será empregada na sessão desta noite. O petista admitiu que a intervenção é um tema que tem a aprovação da população fluminense e que provavelmente os deputados da bancada do Estado serão liberados para votar como quiserem. 

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