Petista apresenta proposta para recuperar mínimo

O deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG) apresentou hoje proposta para recomposição do valor do salário mínimo, resultante de estudo realizado por encomenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O modelo já foi apresentado ao presidente mas, segundo ele, o governo não tem compromisso com o estudo. A proposta cria um novo salário mínimo, incorporando o valor do salário-família. Esse salário variaria de acordo com a região do País e com o número de dependentes do trabalhador. Manteria, porém, um salário mínimo básico para quem não tem dependentes. O estudo do deputado propõe ainda a transferência, para as empresas, do pagamento do salário-família, hoje feito pela Previdência Social. Guimarães disse que isso não vai representar aumento de carga tributária. "Vamos equalizar, redistribuir salário", afirmou. "Se quisermos aumentar o salário mínimo, estaremos falando de uma folha mais pesada." Segundo o deputado, o dispêndio empresarial será predefinido. Ele disse que, com sua proposta, a renda real do salário mínimo de quem tem até três dependentes dobraria até 2006, final do governo Lula. O petista disse também que, com a implantação do que chama de "salário mínimo modulado", que é um salário mínimo básico mais salário-família, haveria condições de reajustes semestrais. Ele, no entanto, descartou um novo reajuste para o salário mínimo ainda em 2004. Pelos cálculos feitos por Guimarães na elaboração de sua proposta, em novembro o salário mínimo seria de R$ 268,00. O líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP) afirmou que a proposta de Virgílio Guimarães é o ponto de partida para a discussão de uma política de recomposição do salário mínimo. ?Ele vai coordenar por nós essa discussão de construir uma proposta para o mínimo?, afirmou o líder. Guimarães salientou que a sua proposta vai unificar o padrão de vida da família. ?O salário família será o grande fator de ajuste?, disse. Para ele, o fato de o salário ser maior para quem tem filhos não significará um estímulo ao aumento de natalidade. ?Ao elevar o poder aquisitivo das famílias, a taxa de natalidade cai?, afirmou. A proposta apresentada por Virgílio está longe de representar consenso e já recebeu críticas na semana passada. Parlamentares dos partidos de oposição, sindicalistas e até o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, já se manifestaram contra a idéia, achando que existe grande dificuldade para sua implantação.

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