André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Petição do MBL por impeachment tem apoio tímido

Grupo do Movimento Brasil Livre que caminhou de SP a Brasília apresenta pedido a Cunha; Aécio não integrou comitiva da oposição

LISANDRA PARAGUASSU, DANIEL CARVALHO E NIVALDO DE SOUZA, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2015 | 02h05

BRASÍLIA - Pouco mais de um mês depois de sair de São Paulo caminhando, representantes do Movimento Brasil Livre - um dos grupos que lideram as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff - entregaram ontem ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), uma petição pedindo o impeachment da petista. Do lado de fora, entre 300 e 400 manifestantes, de acordo com a Polícia Militar, promoveram um ato com faixas e bandeiras cobrando o impedimento de Dilma.

Um grupo entre 20 e 30 pessoas chegou na terça-feira a Brasília e ontem caminhou por aproximadamente quatro quilômetros entre o Parque da Cidade e a frente do Congresso Nacional. A marcha recebeu adesões e se concentrou no gramado em frente ao Congresso.

Ao chegarem, os jovens foram recepcionados por uma comitiva de parlamentares - entre eles, Jair Bolsonaro (PP-RJ), Alberto Fraga (DEM-DF) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) -, que bateram palmas e, de mãos dadas, erguerem os braços para homenagear os manifestantes. O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, não apareceu. O tucano, virou alvo do MBL e passou a ser chamado de 'traidor' desde que abandonou a tese do impeachment.

O pedido apresentado ontem está fundamentado na tese das chamadas pedaladas fiscais - manobra usada pelo governo federal nos anos anteriores que consistia em usar bancos públicos para cobrir despesas de programas sociais e com isso melhorar suas contas - e na eventual omissão da presidente diante do esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás. O grupo também entregou pareceres jurídicos justificando o pedido e se diz defensor de uma mudança dentro da ordem constitucional.

Ao receber o pedido de impeachment, Cunha disse que vai analisá-lo e se pronunciar formalmente sem omitir "opinião prévia". "Eu passei para a assessoria técnica analisar e depois vou dar um posicionamento. Vamos estudar o que tem lá com toda cautela e vamos nos pronunciar", disse.

Em abril, durante evento empresarial na Bahia, o presidente da Câmara indicou que iria rejeitar um eventual pedido de impeachment com base nas pedaladas. Na ocasião, ele avaliou que não havia a possibilidade de aplicar responsabilidade à petista por fatos relacionados ao mandato anterior.

Ato. Do lado de fora do Congresso, manifestantes faziam barulho com apitos e vuvuzelas. Sentado no gramado, um grupo de amigas gaúchas vestidas de verde e amarelo revelou que veio na manhã de ontem apenas para a manifestação, e voaria de volta no final da tarde. "Viemos por conta própria. Começamos com as manifestações ainda em setembro. Éramos meia dúzia, mas aí foi crescendo. Dilma tem que sair e o PT junto", contou Tuti Nair Silva, administradora de empresas, a mais falante do grupo.

Um dos líderes do MBL, o gaúcho Fabio Ostermann, de 30 anos, fez questão de deixar clara a diferença para os outros manifestantes que, há vários dias, acampam na Esplanada dos Ministérios e defendem uma intervenção militar. "Não pactuamos com qualquer pedido de intervenção. Esse pessoal é parasita. Eles não têm gente então se infiltram nas nossas manifestações", afirmou.

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