Roberto Stuckert Filho/PR
Roberto Stuckert Filho/PR

Para Dilma, opositores têm de ‘pensar primeiro no Brasil’; tucanos reagem

Em palanque no Nordeste, presidente fala em ‘vale-tudo’ contra sua gestão e ataca quem torce e trabalha para o ‘quanto pior, melhor’; tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin afirmam que a responsabilidade pela crise é do atual governo e rechaçam ajuda

Daniel Carvalho, enviado especial e Anderson Bandeira, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 12h49

SÃO LUÍS - A presidente Dilma Rousseff fez um apelo nesta segunda-feira, 10, em evento em São Luís (MA), para que os líderes oposicionistas e seus partidos “pensem no Brasil”. Ela criticou o que chamou de “vale-tudo” para desestabilizar sua gestão e a “torcida do quanto pior, melhor”. 

As afirmações foram feitas durante entrega de unidades do programa Minha Casa Minha Vida. A presidente se posicionou também contra a chamada “pauta-bomba” do Congresso, em recado cifrado aos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA), investigado na Operação Lava Jato, estava no palanque.

Segundo Dilma, os políticos de oposição devem pensar primeiro no País e, depois, em projetos pessoais. “O Brasil precisa muito, mais do que nunca, que as pessoas pensem primeiro nele, Brasil, pensem no que serve à nação, à população brasileira e, só depois, pensem em seus partidos e em seus projetos pessoais”, disse a presidente a uma plateia formada majoritariamente por integrantes de movimentos sociais, que responderam gritando “Não vai ter golpe”.

No Recife, onde participavam de homenagens ao ex-governador Eduardo Campos, morto em 13 de agosto do ano passado e que completaria 50 anos nesta segunda, líderes da oposição reagiram imediatamente às declarações de Dilma.

O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, considerou que não cabe ao seu partido escolher o melhor desfecho para a crise. “Até porque as alternativas que estão colocadas não dependem do PSDB. Seja a continuidade da presidente, seja a discussão na Câmara dos Deputados sobre o impeachment, seja a questão do TSE.”

Mais cedo, em entrevista a uma rádio local, Aécio afirmou que o problema do Brasil é a falta de confiança no governo. “As pessoas estão percebendo que a crise, além de política e econômica, é uma crise de confiança”, disse. Segundo o tucano, “errar faz parte da vida, mas o Partido dos Trabalhadores é incapaz de assumir seus erros”. 

Endossando as críticas do correligionário, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que a oposição não governa. “(O governo federal) Não pode responsabilizar os outros pelos seus problemas. A primeira questão para você resolver um problema é você reconhecer o problema”, afirmou. 

Congresso. Sem citar nomes, Dilma, em São Luís, deu uma resposta indireta a Cunha e Renan, que voltaram do recesso com uma pauta que prevê projetos que aumentam os gastos do governo, como o reajuste de servidores federais, com efeito cascata para governadores e prefeitos. “Não concordamos com nenhuma medida aprovada que leve à instabilidade, tanto econômica quanto política do País. Não concordamos com medidas que levem o caos às finanças do governo federal, dos Estados e dos municípios”, disse Dilma.

A presidente citou o que chamou de “torcida do quanto pior, melhor” e fez outro apelo. “Vamos repudiar, sistematicamente, o vale-tudo para atingir qualquer governo. No vale-tudo, quem acaba sendo atingido pela torcida do quanto pior, melhor é a população do País, do Estado e do município.” Em seguida, Dilma questionou: “Quanto pior, melhor? Melhor para quem? É essa a pergunta. É pior para a população, é pior para o povo. É pior para todos nós”. 

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