Pesquisadores tentam criar ossos em laboratório

Pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) desenvolveram uma técnica que permite criar ossos em laboratório. Ainda em fase experimental, o novo material poderá ser uma alternativa para enxertos ósseos. A base para o osso de laboratório são pastilhas milimétricas, feitas a partir de osso bovino.Chamadas de matriz, essas pastilhas são formadas apenas pela parte mineral do osso do animal. "Todos os materiais orgânicos, que podem provocar rejeição, são retirados", diz o professor José Mauro Granjeiro, da FOB-USP.A idéia é recobrir as matrizes com células ósseas (osteoblastos) do paciente que receberá o enxerto. Os osteoblastos são retirados do osso da bacia, por meio de punção. Em seguida, são cultivados em laboratório e transferidos para as matrizes. "Em 30 ou 40 dias, as matrizes estão prontas para serem implantadas."A técnica ainda é experimental. O próximo passo é testar o osso de laboratório em coelhos. "Se tivermos sucesso, em dois anos, a equipe deve começar os ensaios em seres humanos."A pesquisa, que envolve também o Instituto de Química da USP, é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela iniciativa privada.Para especialistas em transplante de ossos, a pesquisa da FOB-USP representa avanços. Quem precisa de enxerto ósseo tem de usar pedaços de osso retirados da própria bacia. Há casos em que é necessário um transplante de doador cadáver. "A fila de espera para transplante de osso pode demorar de seis meses a um ano", diz o professor titular de ortopedia da Faculdade de Medicina da USP, Marco Martins Amatuzzi."A pesquisa de materiais substitutos de osso é tendência mundial", afirma o coordenador do Banco de Ossos do Hospital Albert Einstein, Reynaldo Jesus-Garcia Filho.

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