Pesquisadores reclamam de quebra de compromisso da Fapesp

Depois do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da equipeeconômica do governo federal, chegou a vez de a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ser alvo de reclamações da comunidade científica.Cerca de 370 pesquisadores de todo o Estado assinaram uma carta, que será encaminhada na segunda-feira à Fapesp, na qual reivindicam a revisão das restrições às importações de insumos e serviços.A medida, alvo do protesto, foi tomada pela Fapesp no início do mês passado, por causa da crise cambial que desvalorizou o real. Pela primeira vez em sua história, a instituição suspendeu, por tempo indeterminado, a liberação derecursos destinados à importação de bens e serviços - como computadores e reagentes, por exemplo - para projetos de pesquisa, novos ou em vigência.Na carta, os cientistas criticam a "quebra unilateral dos compromissos" assumidos com a ciência do Estado, "única na história da instituição (Fapesp)". Para eles, a suspensãosumária de todas as importações "inviabiliza, de fato, a continuidade e conclusão da maioria dos projetos vigentes".Além disso, muitos deles "poderão ser irremediavelmente comprometidos pelo adiamento da sua execução, desperdiçando recursos públicos substanciais já consumidos".No entanto, de acordo com um comunicado da Fapesp, podem haver exceções - podem ser liberados recursos para projetos emandamento. Mas apenas para casos emergenciais, bem fundamentados e documentados.Um dos líderes do abaixo-assinado, o neurologista José Cippola Neto, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), resume a preocupação da comunidade científica. "A Fapesp está se burocratizando", diz. "Achamos que nós, pesquisadores, é que deveríamos planejar asimportações, de acordo com nossas prioridades. Agora, isso vai passar pelo crivo de um burocrata, que não sabe o que é importante para nós."O presidente da Fapesp, Carlos Vogt, diz quevê com naturalidade as manifestações. Mas ressalva que as medidas tomadas são preventivas e visam preservar a instituição. "Quando falamos em crise não é tanto pelo valor do dólar, maspela instabilidade da nossa moeda frente a ele", explica.Vogt diz que a Fapesp paga em dólar um terço dasdespesas. Também explica que, no orçamento da agência, de cerca R$ 360 milhões, R$ 285 milhões vêm do repasse de 1% das receitas tributárias do Estado. O restante é oriundo de rendimentosproduzidos pela aplicação no mercado financeiro do patrimônio líquido da Fapesp, que é de R$ 500 milhões.Por isso, de acordo com Vogt, devem-se evitar despesas nesta época de instabilidade. "Há o risco de nossas dívidas invadirem e diminuírem nosso patrimônio", diz.

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