Pesquisador espera que a educação integre crianças à comunidade

Pesquisador-líder do Futuro da Aprendizagem, grupo de pesquisa do Media Laboratory, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, David Cavallo espera que nos próximos 10 ou 20 anos a educação esteja promovendo maior integração de pequenos grupos de crianças às comunidades. "Que elas estejam construindo e solucionando problemas que não conseguem nem imaginar", diz. "As crianças estariam se relacionando com outras crianças, com as cidades, com os Estados e os países."Cavallo é um dos coordenadores do seminário Instituto de Inverno, que se realiza em Curitiba, como parte do projeto Learning Hub (Elo de Aprendizagem), que tem como objetivo organizar uma rede de cooperação internacional conectando experiências de aprendizagem para o século 21. Para ele, as dificuldades que as crianças enfrentam hoje é a visão temporal do currículo escolar e a imposição para que ela aprenda aquilo que os organizadores do currículo querem. "Tira-se a liberdade de construir, de aprender fazendo, e criam-se regras." No entanto, Cavallo diz não ter idéia de como será o aprendizado do futuro. "Temos feito experiências em áreas diferentes para projetar esse aprendizado", afirma. "Para estar preparado é preciso criar vários modelos." Segundo ele, o computador é um dos instrumentos mais importantes nesse processo. "Ele abre oportunidades de aprendizado que não existiam até agora", diz. O pesquisador afirma ser importante o investimento em novas tecnologias e sugere que os governos federais retirem recursos destinados a setores militares para reforçar a educação. Nos Estados Unidos, onde o grupo Futuro da Aprendizagem faz um trabalho educacional no Centro Juvenil do Maine, escola correcional para crianças e adolescentes, o resultado tem sido promissor. Segundo Cavallo, muitos não sabiam ler nem escrever, por terem desistido da escola, onde se consideravam "ridículos" e "burros". No momento em que eles próprios puderam construir o aprendizado, descobrindo formas de ultrapassar as dificuldades, com o uso de brinquedos e da tecnologia, "começaram a aprender que eram espertos". Com a auto-estima em alta no aprendizado, os adolescentes também começaram a se dar bem na vida. Em dois anos de trabalho, o índice de retorno à prisão daqueles que passaram pelo programa é de 4%. Em outras unidades, em que não há projeto de aprendizagem, o índice de retorno é de 60% em menos de um ano de liberdade. "O investimento que se faz é economia", diz Cavallo.

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