Pesquisa vai apurar uso de camisinha entre homossexuais

Uma pesquisa franco-brasileira vai investigar se os homossexuais brasileiros têm usado preservativos para evitar aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. Os pesquisadores estão preocupados com a queda dos índices de prevenção entre os franceses e querem saber se o fenômeno se repete no Brasil. O acordo com a França foi firmado hoje, no Rio, durante seminário pelos 10 anos do Programa de Cooperação Brasil-França para HIV/Aids.Em 1997, 12% dos homossexuais franceses assumiam ter tido pelo menos uma relação sexual sem camisinha no último ano com pessoas sobre as quais não tinham referências. Em dezembro passado, esse índice subiu para 20%, segundo levantamento feito pela agência francesa para pesquisa em aids (ANRS). O queda na prevenção foi notado entre grupos de jovens, soropositivos e habitantes de grandes cidades. Em cada trabalho foram entrevistadas 5 mil pessoas."Uma das hipóteses é de que a eficiência do coquetel está deixando as pessoas mais seguras, como se reduzisse o risco de se contrair o HIV. Hoje existem tratamentos, o que reduz a dramaticidade do problema da aids", afirma o diretor da ANRS, Yves Souteyrand. AcordosSouteyrand esteve hoje no Rio para o seminário e assinou três acordos, sobre o uso de camisinha entre homossexuais, um que prevê uma pesquisa entre a população carcerária brasileira - ainda não detelhada - e um sobre testagem de vacinas.O convênio entre a França e o Brasil prevê a testagem de vacinas, mas os termos dos testes serão discutidos em novo encontro, marcado para setembro. "Serão testes de vacina de fase 1, em que é avaliada a tolerância aos componentes da vacina e também a capacidade desses componentes", afirmou Souteyrand.O pesquisador disse que está em desenvolvimento na França uma linha de pesquisa de novas combinações do coquetel anti-HIV que permita ao paciente tirar "férias terapêuticas" - a nova associação de medicamentos manteria a carga viral estável mesmo durante intervalos programados na medicação. Ainda não está acertado se o Brasil tomará parte nesse trabalho.Souteyrand elogiou o programa brasileiro de tratamento da aids, que fornece gratuitamente o coquetel antiviral. "O que acontece no Brasil é exemplar para todo o mundo. A política do Ministério da Saúde no campo dos genéricos deve ser estudada pelos outros países - principalmente aqueles que vivem situação dramática de contaminação de sua população", disse.

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