Pesquisa tracking é alento para campanha tucana

As pesquisas tracking são de uso interno o partido, e acompanham diariamente a intenção de voto dos eleitores para aferir tendência de crescimento, queda ou estabilidade

Carol Pires, do estadão.com.br

27 de agosto de 2010 | 17h17

BRASÍLIA - Depois de semanas assustados com os resultados das pesquisas de intenção de voto que mostraram consolidação da vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB) na corrida presidencial, a campanha tucana teve um alento nos últimos dias. Pesquisa tracking encomendada pelo partido mostra que o índice que eleitores que declaram voto no tucano ficou estável nos últimos quatro ou cinco dias depois de três semanas de queda consecutiva.

 

As pesquisas tracking são de uso interno o partido, e acompanham diariamente a intenção de voto dos eleitores para aferir tendência de crescimento, queda ou estabilidade.

 

O novo cenário animou a campanha para seguir a nova estratégia colocada em prática nos últimos dias em discursos do candidato em comícios e no horário eleitoral, de mais ataque à adversária petista.

 

No rádio, a campanha tucana está veiculando jingles com críticas à inexperiência de Dilma e, na TV, reavivou o caso do "mensalão" mostrando imagem do ex-ministro José Dirceu e afirmando que ele voltaria ao poder caso Dilma seja eleita presidente. "O Brasil não merece isso", diz a mensagem que conclui o programa eleitoral tucano.

 

Outro acerto apontado pelos tucanos foi a cobrança feita a aliados para que explorem mais a imagem de Serra nas campanhas estaduais e a aparição do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), no programa de TV defendendo Serra como o "melhor presidente para o Brasil".

 

Ao analisar as correções feitas na campanha nos últimos dias, e os fatores que levaram ao novo cenário na pesquisa tracking, o coordenador da campanha tucana, senador Sérgio Guerra, afirma, porém, que os efeitos políticos da quebra de sigilo de quatro tucanos ligados a Serra e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - o qual o PSDB atribui aos petistas - ainda não podem ser sentidos nas pesquisas internas. "Ainda é muito cedo para dizer".

 

Na pesquisa Datafolha de 12 de agosto, Dilma tinha 41% das intenções de voto contra 33% de Serra. Em 20 de agosto o mesmo instituto mediu Dilma com 47% e Serra com 30%. No último dia 24, a vantagem de Dilma sobre Serra aumentou ainda mais, segundo o Datafolha: 49% para a petista contra 30% do tucano. A pesquisa Ibope mostra o mesmo movimento. Entre 5 e 15 deste mês, a vantagem de Dilma sobre Serra passou de cinco para 11 pontos.

 

Os tucanos esperam a pesquisa Ibope que será divulgada nesta sexta-feira para comparar se o resultado do tracking corresponderá aos resultados da pesquisa nacional.

 

A campanha ainda confia que o rápido crescimento da vantagem de Dilma nas últimas pesquisas Ibope e Datafolha sobre o adversário José Serra seja apenas uma "onda". O crescimento de Dilma na carona da popularidade de Lula, segundo Guerra, é "estelionato eleitoral".

 

O senador avalia que se o crescimento da preferência por Dilma fosse consistente, o aumento das intenções de votos nela e a queda de Serra nas pesquisas estariam refletindo também nas campanhas estaduais. Guerra aponta, por exemplo, o crescimento dos candidatos tucanos Marconi Perillo e Antônio Anastasia aos governos de Goiás e Minas Gerais.

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