Pesquisa tenta avaliar candidatura de Roseana

O futuro da candidatura Roseana Sarney poderá ser mais bem definido pela próxima pesquisa Ibope/CNI, que começa a ser feita nesta terça-feira e deverá ser divulgada nos primeiros dias de dezembro. Quase metade das 25 perguntas de política da pesquisa, que também aborda temas econômicos, serão sobre a governadora do Maranhão. Embora não seja patrocinado pelo PFL, o levantamento vai ajudar o partido a resolver o impasse criado com o crescimento de Roseana nas pesquisas. "Queremos saber se ela é um cometa ou uma estrela", resume um dos dirigentes pefelistas. Entre as perguntas do Ibope, algumas serão dirigidas especificamente aos eleitores de Roseana. O entrevistado dirá por que prefere a governadora e quais são seus maiores atributos. "Ela está apresentando propostas concretas para o País? Ela tem uma boa visão dos problemas nacionais? Ela está ocupando um espaço vazio?", serão algumas das questões colocadas aos seus eleitores. Para quem escolher Roseana também haverá uma bateria de perguntas sobre as mulheres na política. O pesquisado responderá por que prefere uma mulher: "Ela é mais confiável? Ela decide mais rápido? Ela é mais cordata?" Para o cientista político Ney Figueiredo, consultor da CNI, o objetivo é avaliar melhor o principal fenômeno da corrida eleitoral. De junho para cá, lembra ele, Roseana subiu dez pontos (de 7% para 17%), enquanto os outros candidatos caíram ou patinaram. "Talvez porque Roseana seja a única novidade no campo governista, já que todos os outros são de oposição", especula Figueiredo. "Antes de Roseana, quem não queria votar contra o governo não tinha em quem votar." De qualquer forma, explica ele, essa é apenas uma suposição, porque nenhuma pesquisa até agora procurou explicar o fenômeno. "Vazio"A primeira tentativa discreta foi feita pelo Ibope na pesquisa mais recente, divulgada na quinta-feira passada. O levantamento foi feito com duas listas de candidatos: com e sem Roseana. Mas o resultado não foi conclusivo. Sem ela, houve um crescimento de quase todos os candidatos. Do governista José Serra (PSDB) até o oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva (PT), todos herdaram de dois a três pontos. "Roseana está crescendo num espaço vazio", diz a diretora-executiva do Ibope, Márcia Cavallari. "Não dá para saber se seu eleitor é a favor ou contra o governo." O que dá para afirmar, acrescenta a especialista do Ibope, é que se trata de uma candidatura homogênea, com desempenho semelhante em quase todas as regiões do País e com apelo forte em certas faixas. "Ela tem mais votos entre as mulheres e nas classes de renda mais alta", anota Márcia. Por isso, avalia a diretora do Ibope, uma pesquisa realizada por telefone e divulgada recentemente colocava a governadora com 26% das intenções de voto: "É a mesma proporção que ela tem nas classes mais altas, justamente aqueles que têm aparelho em casa." Afora essas particularidades, não há muitas certezas sobre a candidatura Roseana. Mesmo na cúpula pefelista, ainda não se sabe bem o que fazer e a conclusão do levantamento pode provocar uma ofensiva ou uma retirada estratégica. O próprio presidente do partido, Jorge Bornhausen, embora entusiasmado com o desempenho de Roseana, prefere esperar pelo resultado da pesquisa para definir os próximos passos. O maior temor de alguns pefelistas é que Roseana se empolgue demais e acabe entrando em polêmica com outros candidatos. "Ela não está preparada para isso", avalia um senador. "Num debate com o Ciro Gomes (PPS) ela seria trucidada." Para outros, entretanto, o comportamento deveria ser inverso. "Está na hora de Roseana ir para o ataque", propõe o secretário-executivo do partido, Saulo Queiroz. Na sua avaliação a candidatura já está consolidada e agora precisa dar o próximo passo. Por isso, ele defende que a governadora passe a ocupar espaços, comparecendo a programas de rádio e TV no centro do País. "Não dá mais para manter uma postura retraída", diz Saulo. "O eleitor quer saber o que ela pensa, fazer perguntas, debater com a candidata." TrunfoSem essa ação, adverte o pefelista, Roseana corre riscos. "Se não aproveitarmos a vitrine para consolidar sua candidatura, o jogo acaba", adverte Saulo. "A candidatura vai começar a murchar e aí vão dizer que tudo não passava de um balão de ensaio." Para Figueiredo, o excesso de cautela pode provocar um sentimento de descrédito. "Não dá para esconder um candidato o tempo todo", afirma o consultor da CNI. "Se deixarem Roseana numa redoma de vidro, vai começar a soar como falso e ela vai parecer uma fraude." Nesse caso, mais do que o fim da candidatura, os pefelistas temem perder o seu grande trunfo na negociação de uma aliança com o governo.

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