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Pesquisa revela que 68% das jovens grávidas não querem o bebê

A maioria dos adolescentes grávidas atendidas pelo serviço público no município do Rio não tem acompanhamento pré-natal adequado. O Ministério da Saúde recomenda que as mulheres façam pelo menos seis visitas ao médico durante a gestação, mas pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que 58% das mães com idade entre 12 e 19 anos não tiveram o número mínimo de consultas. Foram entrevistadas 1.801 adolescentes atendidas nos hospitais públicos ou conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade. Das mães entrevistadas, 68% disseram que não desejavam o bebê.A enfermeira Silvana Granado Gama, que fez do assunto tema da sua tese de doutorado em Saúde Pública, identificou que as meninas que não fizeram pré-natal adequado têm em sua maioria escolaridade baixa (até a quarta série), vivem em residências sem água encanada, não tiveram o apoio do pai da criança durante a gravidez e tentaram interromper a gestação."O pré-natal adequado reduz as desigualdades produzidas pela diferença de escolaridade e nível sócio-econômico. O bebê pode nascer saudável, com bom peso, se a mulher tiver um bom acompanhamento na gravidez", diz.De acordo com Silvana, parte das adolescentes não tiveram por opção acesso ao pré-natal. A enfermeira lembra que há serviços especializados para jovens mães nas maternidades públicas. "Mas a tendência delas é começar a procurar o médico mais tarde, depois do primeiro trimestre, porque não sabem o que fazer e tentam esconder a gravidez", diz. Outro fator que leva as adolescentes a procurar tardiamente o pré-natal é ter pelo menos um filho. Um quarto das mães já passou por uma gravidez. "Algumas contaram que não achavam que precisavam de novo pré-natal porque haviam aprendido tudo antes. Outras alegam que não têm com quem deixar o filho pequeno", afirma.A entrevista foi feita com as mães que tiveram os filhos em maternidades públicas entre 1999 e 2000. A pesquisadora pretende continuar o trabalho, acompanhando as adolescentes durante o pré-natal. Ela acredita que alguns pontos podem mudar. "As que disseram que não desejavam o bebê, por exemplo, estavam com o filho no colo, quando já há um laço entre os dois. Acredito que o índice de rejeição seria ainda maior se a pergunta tivesse sido feita durante a gravidez", especula Silvana.

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