Pesquisa revela compra de voto em eleições

Pelo menos 6% dos eleitores em todas as regiões do País receberam oferta de dinheiro para votar em determinados candidatos nas eleições municipais do ano passado, enquanto 9% foram achacados por funcionários de órgãos públicos, que exigiram propinas em troca da execução dos serviços solicitados. O dado consta de pesquisa do Ibope feita para a Transparência Brasil e divulgada esta tarde em São Paulo. Duas mil pessoas foram ouvidas entre os dias 15 e 20 de março passado.Os números não incluem a troca de votos por remédios, por exemplo, e o levantamento trata apenas de ofertas individuais ao eleitor, sem considerar o uso da máquina administrativa com obras eleitoreiras. As propostas de compra direta de votos são relatadas em maior número nas regiões Norte e Centro-Oeste, com uma taxa de 12% do eleitorado, o dobro da média nacional; Nordeste e Sul têm 7%, enquanto no Sudeste cai para 4%.Segundo o Ibope, o grau de instrução não é garantia contra a troca de votos por favores na administração pública. ?São os eleitores de instrução média (ginasial e colegial) que relatam mais casos (11%)?, informa o relatório. Eleitores de baixa instrução (até primário completo) são 7% e os com formação superior somam 8%.Polícia, Detran e prefeituras respondem em conjunto por mais de 50% das ocorrências deste tipo. O problema é mais acentuado nas capitais dos estados (6%) do que em cidades do interior (3%) e da periferia de capitais (5%). PercepçãoMais da metade, 51%, dos eleitores brasileiros acredita que o principal foco da corrupção no País encontra-se na esfera do Governo Federal, revela a mesma pesquisa. Destes, 37% acreditam que, nos últimos dois anos, a corrupção ?aumentou muito?, e apenas 14% afirmam que ?aumentou pouco?. Para cerca de 40% dos eleitores, a corrupção também cresceu nas esferas dos governos municipais e estaduais.O secretário geral da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, desvinculou qualquer ligação entre a opinião dos entrevistados sobre o aumento da corrupção e a evidência de que a corrupção tenha verdadeiramente crescido nos últimos dois anos na esfera do Governo Federal.?O grande número de denúncias e a veiculação delas na mídia pode causar este efeito, mas o que importa é a constatação de que os eleitores brasileiros não acreditam que a corrupção esteja sob controle no País?, avaliou Abramo.Para o cientista político Bruno Wilhelm Speeck, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos coordenadores da pesquisa, a percepção de que vive em uma sociedade corrupta ?provoca baixa-estima e predispõe o cidadão? a participar dos processos de corrupção. ?Ele passa a encará-la como um fenômeno natural e impossível de ser combatido?, afirmou Speeck. O resultado detalhado da pesquisa pode ser visto pela internet no endereço www.transparencia.org.br

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.