Pesquisa não reflete realidade, diz Abramo

Resultado é fruto de opiniões, não de dados, acusa Transparência Brasil

Guilherme Scarance, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2007 | 00h00

Com fortes críticas aos critérios e à interpretação dos números divulgados ontem, o diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, diz que a pesquisa não produz um índice de corrupção no mundo - apenas reflete opiniões de agentes econômicos sobre o assunto. A entidade, que em julho se desfiliou da Transparência Internacional, por várias divergências, questiona a pontuação e o ranking dos países. "É impossível medir corrupção", alega.Abramo explica que o índice de percepção da corrupção é produzido a partir de "um ajuntado de várias pesquisas", feitas por entidades ligadas ao ramo dos negócios, como agências de avaliação de risco. As perguntas vêm acompanhadas de outros temas, como carga tributária. O resultado final, diz, é fruto da ordenação metodológica desses resultados esparsos. "Não quer dizer nada", avalia.A pesquisa é baseada em opiniões, não em dados objetivos, reforça Abramo. "Nenhum estudo consegue demonstrar que há relação entre opinião sobre corrupção e aquilo que de fato acontece nos países. Não se consegue fazer isso", assegura. "A imprecisão desse gênero de avaliação é tão grande que o máximo que consigo são impressões."Ainda assim, o diretor da Transparência Brasil diz que essas impressões só podem ser levadas a sério em níveis genéricos "e óbvios", como: as instituições da Suécia são mais transparentes que as brasileiras. "A gente jamais, a partir de opiniões, atribui alguma peculiaridade à realidade. Opinião é uma coisa, realidade é outra."Abramo vai além: "É impossível medir corrupção, até mesmo porque o conceito não é bem definido. Você não pode medir algo que não consegue definir de uma maneira que seja convincente para a grande maioria das pessoas."

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