Pesquisa mostra recuo do PSDB e avanço do PT nas cidades

Menos de 30% de reeleitos, com recuo do PSDB e do PFL e forte avanço do PT. Esse é o quadro da eleição para prefeito de 2004 traçado pela Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2005, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o trabalho, em 2005 apenas 1.591 prefeituras (28,6% dos 5.564 municípios) os eleitos já estavam no poder no ano anterior, queda em relação a 2001, quando eram 40,9% de quem já estava no poder em 2000. Os não-reeleitos foram 3.973 - 71,4% do total. Para o cientista político Geraldo Tadeu Moreira Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), um sinal da força relativa do mecanismo da reeleição e do poder do governo federal, comandado desde 2003 pelo PT."A reeleição favorece muito mais o presidente da República e os governadores do que os prefeitos", afirmou o pesquisador. "As máquinas administrativas das prefeituras são precárias, são muito mais virtuais que reais. Os municípios vivem na dependência federal e estadual. Tem prefeituras que mal conseguem pagar salários, e com isso o prefeito perde todo o poder de barganha."Em uma antecipação da derrota que sofreram na disputa presidencial de 2006, PSDB e PFL diminuíram em 2005, em relação ao quadro de prefeitos que tinham em 2004. Os tucanos, ainda em segundo lugar no total de prefeituras, caíram de 1.098 prefeitos em 2004 para 863 em 2005 - menos 27,43%. Já os pefelistas, que conservaram a terceira posição nacional, foram de 959 para 751 executivos municipais (queda de 27,69%). O PT, oitavo colocado, foi o partido que mais cresceu, de 217 para 404 prefeitos, um avanço de 86,17%. O PMDB ficou em primeiro em número de prefeituras, indo de 1.132 para 1.160 (mais 2,47%). Também caíram o PP (6%) e o PTB (5,69%)."A influência do governo federal no interior é imensa", disse Monteiro. "Tem o dinheiro da Previdência Social, do Bolsa-Família, as verbas para obras em hospitais, escolas etc. Nenhum prefeito, nenhuma liderança local faz campanha contra o governo federal, a não ser que um motivo local o obrigue. Se há dois coronéis rivais numa cidade, e um deles se alia ao governo federal, o outro vai para a oposição, mas só assim."

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