Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Pesquisa mostra que 41% dos praças das PMs nas redes são bolsonaristas

Cerca de 12% dos agentes fazem ataques ao STF e ao Congresso no Facebook

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2020 | 18h49

Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 7, pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública, aponta que 41% dos soldados, cabos, sargentos e subtenentes (os praças) das polícias militares do Brasil interagem em ambientes bolsonaristas no Facebook, sendo que 25% participam de redes bolsonaristas radicais tidas como radicais pelos pesquisadores. Ao todo, 12% dos PMs nessa rede social compartilham comentários contrários ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso.

O dado foi obtido a partir de um levantamento do Fórum feito em parceria com a empresa de inteligência digital Decode. O estudo levantou o nome de mais de 885 mil policiais civis, militares e federais do País no Portal da Transparência e os procurou nas redes. 16% deles têm perfis no Facebook. A pesquisa se concentrou em analisar mais de 2,8 milhões de interações de 879 agentes de segurança com perfis abertos, de acesso público, para não violar a privacidade dos policiais. Apenas 6% dos agentes interagem com pautas ligadas aos direitos humanos. 

O diretor-presidente do Fórum, Renato Sérgio de Lima, afirma que a pesquisa foi feita para tentar mensurar uma percepção já identificada de proximidade das forças de segurança com as pautas bolsonaristas. Ele destaca que, historicamente, as polícias de todo o mundo têm proximidade com pautas de viés conservador, de manutenção da ordem. 

“Ser conservador não é problema nenhum. É um segmento da sociedade. O que chamou a atenção da gente é que, dentro deste grupo, tem uma parcela defendendo a ruptura institucional. Este sim é um problema.” A questão, para Lima, é o fato de o efetivo das corporações serem grandes e estarem armadas ao defender esses discursos. O tema precisa receber atenção de demais órgãos de estado, como o Ministério Público, e das próprias corregedorias, ainda na avaliação do fórum.

Um dos fatores que o Fórum avalia como catalisadores da participação desses agentes na rede o é o próprio discurso empoderador das polícias trazido pelo grupo político do presidente. “(Os policiais) se sentem empoderadas a partir do discurso do Bolsonaro e se sentiram à vontade inclusive para dizer contra o congresso, prender o Supremo.”

Outro fator são projetos pessoais de projeção política de parte dos policiais, que usaria as redes sociais para difundir suas ideias políticas e ganhar visibilidade eleitoral.

“O componente político partidário invadiu a PM. Muitos policiais estão construindo projetos pessoais de poder, ocupação de cargos eletivos. Não há nenhum tipo de regra de transição, quarentena, que são duas instituições fundamentais que precisam estar separadas”, disse Lima, ao destacar pontos negativos neste movimento, como a mistura de questões públicas e privadas e a falta de legislação para quarentena entre o agente de estado e o agente político, como há em outras carreiras. 

Lima destaca ainda o universo da pesquisa, os 16% dos PMs que têm perfis nas redes sociais. Lima chama a atenção para os policiais não identificados no levantamento. “Não quer dizer que eles não sejam bolsonaristas. Ele não estão é falando publicamente.”

Entre os PMs de todo o Brasil, 14% fazem críticas ao PT e à esquerda nas redes. 6% compartilham apoio a Sérgio Moro e 24% fazem críticas às pautas LGBT.

A penetração das ideias bolsonaristas nas redes do Facebook  de policiais civis é menor. Segundo a pesquisa, 7% dos delegados e 10% dos policiais civis de outras carreiras são apoiadores públicos do presidente. No caso dos policiais federais, são 12% dos delegados e 13% dos profissionais de demais carreiras. 

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