Pesquisa mostra que 4% dos alunos vão à aula armados

Quatro por cento dos estudantes vão à aula armados. Esta é uma das conclusões da pesquisa Violência na Escola, realizada entre 1999 e 2000 em 420 estabelecimentos de ensino públicos e particulares, de 14 Estados Brasileiros, pela Unesco, por solicitação de órgãos federais de segurança e educação. Foram ouvidos 33 mil estudantes, a partir da 5º série do primeiro grau, três mil professores e 10 mil pais. "Hoje, comprar uma arma é tão fácil quanto adquirir um doce", contou a socióloga Miriam Abramovay, que coordenou a pesquisa, junto com Maria das Granças Ruas. "Ampliado para um universo de 5 milhões de alunos, o percentual atinge uma grandeza surpreendente - 200 mil estudantes armados"Violência na Escola virou livro, lançado hoje no Rio, em um painel organizado pelo Conselho Empresarial de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan). O problema é mundial e já vem sendo estudado nos Estados Unidos e Europa, mas nunca tinha sido abordado em profundidade no Brasil. "Com o aumento da violência e até de mortes dentro da escola, os governos passaram a se preocupar com o tema", lembrou Miriam. "Os dados dentro da escola repetem o que ocorre na rua. Meninos se envolvem mais em violência física, enquanto meninas são mais facilitadoras ou cometem incivilidades. As escolas públicas têm problemas mais acentuados, mas surpreendentemente, o número de ocorrências tem crescido nos colégios particulares, que seriam mais protegidos por segurança pública e privada."Segundo Miriam, não há como comparar a situação apurada com outras anteriores ou em outros países latino-americanos, pelo pioneirismo desse estudo. No entanto, a violência escolar é global. "A questão é preocupante no mundo inteiro, tanto que foi um dos principais temas da última campanha eleitoral francesa", lembrou a socióloga. "O próximo estudo, na América Latina, será feito no México. Aqui, ouvimos também dez mil pais de alunos e três mil professores de colégios público e particulares?.No debate da Firjan, o coordenador de Desenvolvimento Humano do governo do Estado do Rio, Ricardo Henriques, lembrou que esta é uma das principais preocupações da atual administração. "Só uma política sustentável dará conta do problema, que requer ousadia para encontrar novos meios de lidar com a violência", disse Henriques. "O tema está intimamente ligado ao desenvolvimento e à economia, pois impede a chegada de novos investimentos ao Estado."Na quarta-feira, dando continuidade ao debate, será lançado no Rio Mapa da Violência, também feito pela Unesco, identificando os pontos onde ocorrem mais incidentes. O levantamento parte de 1991 até o ano de 2000 e mostra que os índices vêm crescendo em todo o País, especialmente no Estado do Rio.

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