Pesquisa mostra maior preocupação com a economia

O resultado da primeira pesquisa CNI/Ibope de 2004 mostra um aumento na preocupação da população com a situação econômica do País e uma queda significativa nos indicadores de avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A pesquisa traz uma mensagem muito clara", comentou o diretor de Desenvolvimento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marco Antônio Guarita. De acordo com os dados divulgadosnesta sexta-feira, a desconfiança da população em relação aos rumos do País está praticamente estável, mas num patamar nada confortável para o governo. Dos dois mil entrevistados, 46% disseram que o Brasil está no "caminho errado", enquanto que 40% apostam que o rumo está correto. Na pesquisa anterior, 48% diziam que o caminho estava certo contra 36% que acreditavam no contrário.Guarita afirmou que as expectativas da população em relação ao futuro do País, refletidas na pesquisa, foram bastante influenciadas pelos diversos fatos ocorridos nos últimos três meses, intervalo entre a pesquisa de hoje e a última rodada de 2003. "Esse período foi marcado pelo anúncio de vários indicadores econômicos desfavoráveis, como o crescimento negativo do PIB e o aumento do desemprego. Boa parte da queda na aprovação do governo Lula está associada à evolução da economia", salientou. Na interpretação dos técnicos da CNI, o resultado da pesquisa de março é uma evolução do cenário pessimista da população. "O cenário de pessimismo moderado verificado na pesquisa anterior evoluiu para um cenário de forte pessimismo em relação a questões como desemprego, inflação e renda", salientam os técnicos no documento divulgado esta tarde pela CNI. Ainda assim, Guarita lembrou que os índices de aprovação ao governo Lula e de confiança no presidente são altos. "Os indicadores positivos são superiores aos negativos. O presidente ainda têm (indicadores positivos) de dimensão bastante expressivos", salientou o diretor da CNI.Queda na rendaA expectativa da população brasileira em relação ao comportamento da renda dos trabalhadores não é das melhores, segundo a pesquisa. Para 28% dos dois mil entrevistados, a renda geral da população vai cair ao longo dos próximos seis meses, enquanto 24% apostam num aumento, neste período. Em dezembro do ano passado, período de realização da pesquisa anterior, 26% acreditavam que a renda geral iria sofrer uma queda e 28% apostavam num aumento. Avaliando apenas a expectativa em relação à renda pessoal, o quadro também não é muito diferente. Para 30% dos ouvidos, a renda pessoal sofrerá um aumento no período de março a setembro. Os que acreditam que o que ocorrerá será exatamente o contrário somam 18%. Em dezembro, 33% apostavam num aumento da renda pessoal e 17% numa queda. Em ambos os casos, a maioria dos entrevistados aposta num estagnação da renda. No aspecto geral, 43% apostam num congelamento da renda ao longo dos próximos seis meses. No campo pessoal, esse porcentual é de 47%.

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