Pesquisa mostra desinteresse e desinformação sobre a globalização

O nível de desinteresse e desinformação sobre a globalização é um dos maiores destaques da pesquisa mundial sobre como o mundo vê o mundo e o Brasil, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). De acordo com os dados divulgados hoje, 27,8% dos 8.912 entrevistados afirmaram que não é claro se a globalização da economia mundial beneficia ou prejudica as nações. Outros 26,5% disseram que ou não ouviram falar ou não tem opinião sobre o processo de globalização. Existe, entretanto, parte dos entrevistados que tem uma posição mais definida sobre esse processo mundial. Para 21,4% dos entrevistados a globalização beneficia seu país enquanto 15,2% disseram que o processo é prejudicial. Os chineses foram os que mais se posicionaram a favor da globalização: 50,2%. Os mais contrários foram os argentinos. Lá, 32,7% dos entrevistados consideram que o processo de globalização econômica é prejudicial ao país. No Brasil o número de descontentes com a globalização é um pouco superior aos favoráveis. Dos brasileiros entrevistados, 19% disseram que a globalização prejudica o Brasil, enquanto 17,8% afirmaram que ela é benéfica. Curiosamente, a formação de blocos econômicos é bem vista pelos entrevistados. O apoio à formação de blocos econômicos, como por exemplo o Mercosul, é manifestado por 63,4% dos entrevistados. Outros 19,1% disseram que não apóiam a formação dos blocos. Para o presidente da CNT, Clésio Andrade, o resultado estimula o Brasil a fortalecer o Mercosul. A pesquisa foi realizada entre os dias 15 de agosto e 10 de outubro, com entrevistas em 22 países. PrivatizaçãoA privatização ainda é considerada positiva segundo o resultado da pesquisa mundial. Dos 8.912 entrevistados, em 22 países, 42,6% disseram que algumas empresas públicas devem ser privatizadas. Apenas 14,6% disseram que todas as empresas públicas devem ser vendidas ao setor privado. Existe, entretanto, uma importante corrente que defende a manutenção das empresas sob o controle do governo: 34,8%. O índice de defesa das estatizações é forte no Brasil. Pelos números apurados, 50,5% dos brasileiros entrevistados disseram ser a favor da manutenção de empresas públicas sob o controle do governo. O apoio integral às privatizações foi manifestado por 14,5% dos brasileiros ouvidos pelo Instituto Sensus. Apesar do nível elevado de apoio à manutenção de empresas estatais, o porcentual registrado no Brasil não foi o maior. Na Argentina, por exemplo, 59,7% dos entrevistados defenderam essa idéia. O porcentual maior foi registrado na Rússia: 66,8%. Na China, segundo explicou o diretor-presidente do Sensus, Ricardo Guedes, a pergunta não pôde ser feita. Pobreza e terrorismoO levantamento sobre os principais problemas mundiais acabou sofrendo uma importante alteração após os atentados terroristas contra os Estados Unidos, no dia 11 de setembro. De acordo com os números divulgados esta manhã, 20% dos entrevistados consideraram que a pobreza e o desemprego são os principais problemas do mundo hoje. Outros 19,4% disseram ser a guerra e o terrorismo. O presidente da CNT, Clésio Andrade, alertou que antes dos atentados a pesquisa já havia sido realizada em 11 países e, até aquele momento, pobreza e desemprego vinham liderando a lista de preocupações dos entrevistados. "Depois dos atentados, os entrevistados nos outros 11 países passaram a apontar a guerra e o terrorismo como os maiores problemas mundiais", explicou Andrade. Nos Estados Unidos, por exemplo, 27,2% disseram que os grandes problemas são a pobreza e o desemprego, contra 15,3% que listaram a guerra e o terrorismo. Os norte-americanos, entretanto, foram ouvidos antes dos atentados à Nova York e Washington.

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