Pesquisa mostra como os brasileiros vêem sua vida

Dois terços dos brasileiros acham que os problemas econômicos são sua principal preocupação pessoal, 85% dizem que a economia nacional vai mal e 88% afirmam-se insatisfeitos com o País. Mas dois em cada três consideram sua vida pessoal satisfatória e a maioria acha que o futuro é promissor: 58% - contra 39% - confiam que as coisas vão melhorar e 73% se dizem otimistas em relação aos próximos cinco anos, enquanto que os pessimistas não passam de 8%. Uma imensa maioria - 85% - mostra-se satisfeita com sua vida familiar e 65% estão contentes com o trabalho que têm. Mas o número desaba para 37% quando a pergunta é sobre a renda familiar. Considerados os últimos cincos anos, 38% acham que andaram para trás, enquanto 45% sentem que progrediram. Ainda assim, mais de quatro em cada dez brasileiros, ou 45%, dizem que tiveram problemas comprar comida, roupa ou medicamentos no último ano.Resultados das entrevistas feitas com mil brasileiros entre as 38 mil pessoas que foram ouvidas em 44 países, no primeiro levantamento global de atitudes conduzido pelo Pew Reesearch Center for the People & the Press, esses dados sublinham algumas das razões da histórica eleição do oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva nas últimas eleições presidenciais e da esperança que sua administração alimenta. Mas o levantamento contêm também uma mensagem de cautela para Lula, ao confirmar a percepção fortemente negativa que os brasileiros têm do governo do País ? uma atitude compartilhada pelos habitantes de outros países que sofreram choques econômicos freqüentes e que provavelmente não mudará com a troca do time em Brasília. Influência negativaNada menos do que 60% acham que o governo nacional exerce uma influência negativa na vida do País, contra apenas 34% que têm uma visão positiva da ação governamental. Nesse tópico, os brasileiros têm mais apreço pela imprensa (75%), pelos líderes religiosos e até mesmo pelos militares (43%). Os problemas nacionais que mais preocupam os brasileiros são, pela freqüência com que foram citados na pesquisa, o crime (82%), aids/hiv (72%), a corrupção (71%), a má qualidade das escolas (62%), o terrorismo (56%), o declínio moral (50%), a má qualidade da água (33%), a emigração (17%) e a imigração (16%). Ao responder uma parte do questionário que pedia respostas espontâneas, ele identificaram o desemprego como sua maior preocupação. Entre os maiores perigos mundiais, os causam maior ansiedade no Brasil são as armas nucleares (56%), aids e doenças infecciosas (52%), o fosso entre ricos e pobres (43%), o ódio racial e religioso (28%) e a poluição ambiental (20%). Como os brasileiros vêem os EUAA maioria dos brasileiros, ou 52%, dizem ter uma opinião favorável sobre os Estados Unidos. Menos de um terço, ou 32%, manifestam a atitude oposta. Um dado surpreendente: uma proporção de 57% - contra 35% - mostra simpatia em relação `a guerra contra o terrorismo conduzida por Washington. Mas as avaliações positivas sobre os EUA no Brasil são escassas. Mais da metade dos brasileiros, ou 55%, acham que a política externa americana não leva em consideração os interesses de outros países. Apenas 37% têm a opinião oposta. A intrusão cultural dos EUA, por meio da difusão das ?idéias e dos costumes americanos?, é claramente rejeitada. Nada menos de 60% a consideram negativa, enquanto que apenas 30% fazem uma avaliação positiva da ?americanização?. Num item relacionado, 51% dos brasileiros dizem que não gostam das ?práticas de negócios? dos EUA. Não passa de 34% a proporção dos que apóiam tais práticas. Os brasileiros revelam atitude semelhante em relação às idéias americanas sobre a democracia, que não foram definidas no questionário. A maioria, ou 51%, afirma não gostar de tais idéias, contra 35% que dizem ter a opinião oposta. Entre os oito países latino americanos incluídos no levantamento, apenas na Argentina e na Bolívia esse sentimento negativo é mais forte do que no Brasil. Mas, paradoxalmente, os brasileiros estão entre os povos que mais apreciam da cultura popular americana. Quase sete em cada dez, ou 69%, dizem gostar desse aspecto dos EUA. Nesse particular, apenas os canadenses (77%), os ingleses (76%), os poloneses, os venezuelanos, os hondurenhos e os guatemaltecos são mais americanófilos do que os brasileiros.Leia mais sobre essa pesquisa

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