Pesquisa investiga moradores de rua

São Paulo é uma das cidades-alvo de uma pesquisa internacional sobre os moradores de rua. O projeto, batizado de "O Fenômeno dos Moradores de Rua e a Globalização" reúne oito universidades e seis centros de pesquisa do Brasil, Estados Unidos, Japão e França. Para especialistas, o convívio da capital com a pobreza já criou know-how para lidar com o problema, com iniciativas que podem ser "exportadas", como a criação de cooperativas de catadores de papel. No começo do mês passado, participantes reuniram-se na cidade de Los Angeles para traçar um cronograma de atividades. A idéia é juntar informações sobre o tema, comparar semelhanças e diferenças do problema em São Paulo, Tóquio, Los Angeles e Paris e determinar soluções. "Apesar de o fenômeno não ser só brasileiro, por fatores culturais e por já convivermos com a pobreza há mais tempo, somos inspiradores de uma nova mentalidade, mais solidária e respeitosa", acredita uma das coordenadoras do projeto, a professora de design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) Maria Cecília Loschiavo dos Santos. Duas experiências paulistanas, que, segundo Maria Cecília, interessam aos estrangeiros são a república de homens de rua e cooperativas de catadores de papel e materiais reaproveitáveis, como a Coopamare, fundada em 1989, no Sumaré. O professor da Universidade da Califórnia Gary Blasi confirma. Segundo ele, em Nova York coletores de latinhas tentaram atuar coletivamente, mas não chegaram a ser uma cooperativa. "Essas idéias têm mérito, mas são limitadas pela quantidade de material reciclável disponível e pela competição que sofrem dos coletores que não vivem nas ruas." Outro diferencial que o projeto deverá estudar é a dispersão dos moradores de rua. "Em Tóquio, eles estão confinados em algumas áreas, e em Los Angeles, no Skid Row. Aqui ficam no centro, nos bairros e na periferia", diz Maria Cecília.A forma como a população em geral lida com a questão também difere. A professora da FAU acha que aqui a solidariedade é maior. "Em Los Angeles, por exemplo, pela proximidade com a indústria do cinema e da televisão, os moradores de rua acabaram banalizados e são tema de seriados, novelas e filmes. Já no Japão, são considerados perdedores e levam uma vida muito solitária."

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