Pesquisa diz que estresse atinge 70% da população

Recente pesquisa da International Stress Management Association (Isma) no País indica que 70% dos brasileiros sofrem de estresse no trabalho. De acordo com a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da entidade, este número não difere muito do nível mundial. Segundo ela, a porcentagem é idêntica na Inglaterra. Nos Estados Unidos, sobe para 72%.Antes do número, detalha a especialista, é preciso atentar para a qualificação do estresse, caracterizado por quatro fases: inicial, de resistência (quando os primeiros sintomas persistem), crônica, e burnout (é o nível mais avançado, em que a capacidade da pessoa de lidar com os percalços do dia-a-dia se esvaiu. Em inglês, burn significa "queimar" e out significa "fora". Ou seja, é aquele estado em que a energia do indivíduo se perdeu.O risco de suicídio é apenas uma entre várias outras conseqüências da síndrome, afirma. No trabalho, por exemplo, a pessoa já não consegue dar mais conta dos afazeres e se torna distante ou até mesmo agressiva com colegas e clientes - desenlaces violentos não estão descartados.O estresse também está associado a uma infinidade de doenças. De acordo com a Associação Médica Americana, o estresse está direta ou indiretamente relacionado às seis principais causas de morte no mundo: doenças do coração, câncer, enfermidades do pulmão, acidentes, cirrose e suicídio. Nesse campo, o Japão ocupa o primeiro lugar, apresentando 70% de profissionais estressados em fase burnout. Em segundo está o Brasil, com 30% nesta fase, seguido pelos Estados Unidos, com 20%.SegmentaçãoParticiparam da pesquisa 1.000 profissionais de diferentes áreas, como médicos, enfermeiros, psicólogos, dentistas, motoristas de ônibus urbano, seguranças públicos e privados, profissionais de atendimento público e jornalistas.Em relação ao nível de estresse, os seguranças ocupam o primeiro lugar. "A situação de risco é muito grande nesta atividade. Mesmo fora do local de trabalho estes profissionais se sentem ameaçados e, em busca de maior remuneração, às vezes atuam em locais extra-oficiais, que não oferecem equipamentos de proteção adequados", diz Ana Maria.Em segundo lugar estão os motoristas de ônibus urbanos, que apresentam alta pressão arterial típica do estresse e, ao mesmo tempo, não podem tomar os remédios indicados para combatê-la, pelos efeitos diuréticos provocados por eles. Também ocupam essa posição os controladores de vôo.Em terceiro lugar, encontram-se os executivos em geral, aqueles que lidam com atendimento ao público, e os profissionais da Saúde. Em quarto, estão os que trabalham fora da sua área de desempenho. "Como um professor talentoso, que é eleito diretor do colégio e passa a se dedicar com exclusividade a questões burocráticas da instituição", exemplifica.Na quinta posição estão os jornalistas, que não têm controle das fontes de informação, e assumem a responsabilidade de gerar matérias com prazos acirrados.De acordo com relatório elaborado pelos países membros da Comunidade Européia, os custos com os problemas de saúde mental, conseqüência dos níveis altos de estresse, consomem 3% a 4% do seu Produto Interno Bruto. Nos Estados Unidos, estima-se em US$ 300 bilhões os gastos anuais nas empresas por problemas relacionados ao estresse no trabalho. De acordo com a presidente da Isma, o Brasil começa a dar seus primeiros passos na conscientização dos males causados pelo estresse.SoluçõesA psicóloga indica algumas medidas para diminuir o estresse, como a conscientização das capacidades e limites do indivíduo, a disciplina para parar a atividade quando necessário, a serenidade para aceitar o que não é possível controlar, como o mau tempo, o trânsito, e o estilo de vida saudável.Esse estilo implica um sono reparador, alimentação balanceada em períodos adequados, exercício físico de 30 minutos de duração (pelo menos quatro vezes por semana), abertura constante para a confidência da intimidade com um pessoa de confiança e, finalmente, técnicas específicas de relaxamento, como uma simples respiração mais equilibrada.Ana Maria destaca que a ânsia de aproveitar ao máximo as férias, mesmo que ela seja de longos trinta dias, pode impedir que o profissional relaxe. A solução pode estar em períodos mais curtos e mais freqüentes de férias. Por exemplo, três paradas de dez dias ou duas de quinze dias ao longo do ano.Para os profissionais que sofrem de burnout - a fase mais avançada do estresse - as férias são menos eficientes ainda. Neste caso, a solução não é férias, mas tratamento com psicólogos. E provavelmente, uma revisão imediata nos hábitos.OrigemStress é uma palavra derivada do latim, que foi popularmente usada durante o século XVII para representar "adversidade" ou "aflição". Em fins do século XVIII, seu uso evoluiu para denotar "força", "pressão" ou "esforço", exercida primariamente pela própria pessoa, seu organismo e mente.O conceito de stress não é novo, mas foi apenas desde o início do século XX que as ciências biológicas e sociais iniciaram a investigação de seus efeitos na saúde física e mental das pessoas.Stress, segundo o austríaco Hans Selye, que primeiro o definiu, é qualquer adaptação requerida à pessoa. Portanto, ele é neutro e se torna positivo ou negativo de acordo com a percepção e interpretação de cada pessoa. O stress positivo, chamado de eustresse, como o negativo, chamado de distresse, causam reações fisiológicas similares: as extremidades (mãos e pés) tendem a ficar suados e frios, a aceleração cardíaca e pressão arterial tendem a subir, o nível de tensão muscular tende a aumentar, etc. No nível emocional, no entanto, as reações ao stress são bastante diferentes. O eustresse motiva e estimula a pessoa a lidar com a situação. Ao contrário, o distresse acovarda a pessoa, fazendo com que se intimide e fuja da situação.

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