Pesquisa detecta platina em mulheres com prótese de silicone

Pesquisadores descobriram altas concentrações de platina em mulheres que fizeram implantes de silicone nos seios e nas crianças amamentadas por elas posteriormente. O tipo do metal encontrado no sangue e na urina das mulheres é diferente dos traços de platina achados normalmente no corpo humano. É uma substância altamente reativa, usada para transformar o óleo de silicone no gel que dá aparência mais natural ao implante.As concentrações detectadas chegaram a ser três vezes maiores do que em mulheres que não fizeram implantes, segundo S.V.M. Maharaj, químico da American University, que apresentou suas conclusões para a American Chemical Society, na Filadélfia. Ernest Lykissa, um toxicologista clínico e forense que também assina o estudo, disse que o universo de amostras era pequeno, mas os resultados refletem a situação de centenas de mulheres que ele vem estudando ao longo dos anos. Quanto maior o tempo com o implante, maiores as concentrações de platina no organismo. O metal foi encontrado até na medula óssea, onde são produzidas as células do sangue.Segundo Lykissa, a platina usada nas próteses de silicone é tratada com ácidos nítrico e clorídrico, o que o torna altamente reativo. O metal pode se prender às terminações dos nervos, causando problemas na comunicação com o cérebro. "De repente, seu sistema cerebral não funciona direito", disse o pesquisador. Algumas mulheres, segundo ele, desenvolvem tiques nervosos, assim como problemas de visão e audição. As crianças apresentam, igualmente, estes dois últimos.A Administração de Drogas e Alimentos (FDA) surpreendeu cirurgiões plásticos no início do ano quando, contrariando a orientação de seus especialistas, rejeitou um pedido da empresa Inamed para reintroduzir as próteses de silicone nos EUA - proibidas no país desde 1992, por questões de saúde. Em janeiro, o órgão pediu à Inamed mais detalhes sobre o que acontece quando silicone vaza dos implantes. Dan Cohen, um porta-voz da empresa, disse que a companhia enviou uma resposta detalhada à FDA no início do mês.

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