Pesquisa da CNA diz que reforma agrária não garante renda

Enquete do Ibope feita a pedido de ruralistas mostra que 72% dos assentados não produzem excedente

estadao.com.br,

13 de outubro de 2009 | 15h49

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou nesta terça-feira, 13, o resultado de uma pesquisa feita pelo Ibope sobre os assentamentos rurais consolidados da reforma agrária. De acordo com o levantamento, 72,3% dos entrevistados afirmam não gerar renda na propriedade adquirida, número que fecha com o total de assentados que ganham até dois salários mínimos por mês - 72%. Para a senadora e presidente da entidade, Kátia Abreu (DEM-GO), os dados apresentados "comprovam que o modelo de lote de terra não reduz a pobreza no Brasil".    

 

Antes de conhecer o resultado oficial da pesquisa, mas numa clara antecipação às críticas dos ruralistas, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, afirmou durante audiência pública realizada na manhã desta terça-feira, no Senado, que a agricultura familiar é mais produtiva que outras as modalidades de agricultura.

 

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lista Os principais pontos da pesquisa

tabela A íntegra da pesquisa

 

Da totalidade dos entrevistados, 47,7% disseram não produzir nem o suficiente para sustentar suas famílias. Um número menor, mas significativo (37%), afirma não produzir nada em suas terras. Outros 24,6% dizem produzir somente o necessário para subsistência. 

 

Entre outros dados da pesquisa em relação à produção nos lotes distribuídos pela reforma agrária, 63% dos entrevistados disseram que usam seu lote de terra. Entretanto, no Assentamento Caxangá (PE), 99% declaram não estar produzindo na propriedade atualmente.

 

Também de acordo com o levantamento, 46% dos assentados compraram suas terras ilegalmente de terceiros e 75% não têm acesso aos programas de crédito do governo.

 

"Se existe uma coisa que não aprendemos a fazer, infelizmente, foi reforma agrária", avaliou a senadora Kátia Abreu. "Precisamos aprimorar o modelo, que não está gerando renda e que acaba transformando os assentamentos em verdadeiras favelas rurais. Isso precisa ser revisto", continuou.

 

A pesquisa do Ibope foi realizada entre 12 a 18 de setembro, em mil domicílios. Para a amostragem, foram considerados nove assentamentos de nove Estados brasileiros que se enquadravam no nível 7 (de uma escala de 1 a 7). Este nível leva em conta a emancipação do assentamento. De acordo com os dados do Ibope, 240 de um total aproximado de 8 mil encontram-se nesse estágio.

 

"A ideia é a de levantar vazios institucionais para que possam ser preenchidos", disse a senadora. De acordo com ela, a maior parte do resultado da pesquisa do Ibope já era aguardada pela CNA. "Já esperávamos os resultados da pesquisa, mas enquanto não é divulgado por uma instituição de grande porte, pode parecer que estamos falando uma não verdade", argumentou.

 

Em alguns assentamentos é maior a proporção de crianças que trabalham para terceiros: 19%. O estado do Pará lidera a estatística com 30%. No levantamento, consta que 86% das casas têm banheiros ou sanitários, mas apenas 1% dos domicílios têm rede coletora de esgoto - enquanto 63% deles dispõem de fossas rudimentares.

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