Maioria dos brasileiros acha que, com Temer, corrupção fica igual ou maior que com Dilma

Primeira pesquisa de opinião após afastamento da petista mostra aprovação de 11,3% do presidente em exercício, mesmo índice no último levantamento da gestão da antecessora

Anne Warth , O Estado de S. Paulo

08 Junho 2016 | 13h43

BRASÍLIA - A maioria dos brasileiros acredita que o afastamento da presidente Dilma Rousseff não é suficiente para reduzir a corrupção no País. De acordo com pesquisa CNT/MDA divulgada nesta quarta-feira, 46,6% dos entrevistados dizem que a corrupção no governo do presidente em exercício Michel Temer será igual à verificada na gestão da petista e 18,6% acham que será maior, num total de 65,2%. Para 28,3%, a corrupção com o peemedebista será menor que com Dilma.

O levantamento foi o primeiro a aferir a popularidade e a aprovação do presidente em exercício. Mais da metade dos consultados (54,8%) avalia que o governo Temer está igual ao de Dilma e não percebe nenhuma mudança no País. Para 20,1%, o governo Temer está melhor, e para 14,9%, a gestão do peemedebista é pior e as mudanças feitas por sua equipe agravaram as condições do País.

O governo Temer é aprovado por apenas 11,3% dos entrevistados. A maioria (30,5%) não soube opinar sobre a gestão do peemedebista. Para 30,2% dos consultados, o governo Temer é regular, e para 28%, a avaliação é negativa.

A aprovação do governo Temer é muito semelhante ao registrado na última pesquisa CNT/MDA, de 24 de fevereiro deste ano, em que o governo Dilma era avaliado. Na época, a gestão da petista era aprovada por 11,4% dos consultados. O que difere Temer de Dilma é o índice de reprovação da petista, que atingia 62,4% dos entrevistados, mais que o dobro do peemedebista.

No levantamento divulgado hoje, o desempenho pessoal de Temer é reprovado por 40,4% dos entrevistados, enquanto 33,8% o aprovam. Em fevereiro, quando Dilma era a avaliada, seu desempenho pessoal era reprovado por 73,9% dos entrevistados e aprovado por 21,8% dos consultados.

Em relação ao impeachment, 62,4% consideram correto o afastamento da presidente Dilma pelo Congresso, enquanto 33% avaliam que a decisão foi errada. Ao final do julgamento pelo Congresso, 68,2% acreditam que Dilma será cassada e Temer continuará na presidência, enquanto 25,3% consideram que ela vai reassumir o cargo.

A maioria dos entrevistados (44,1%) acredita que a corrupção foi o que motivou o impeachment; 37,3% atribuem o processo à tentativa de obstrução das investigações da Operação Lava Jato; e 33,2% consideram que as pedaladas fiscais foram a causa do afastamento.

A maioria dos entrevistados (50,3%) é favorável à antecipação das eleições presidenciais, marcadas para 2018, enquanto 46,1% são contra a proposta.

Eleições. A pesquisa trouxe dois cenários estimulados para a disputa no primeiro turno, em que os candidatos são apresentados aos entrevistados. Lula vence as duas disputas.

Na primeira, em que o candidato tucano é Aécio Neves, Lula lidera com 22% das intenções de voto, seguido por Aécio Neves, com 15,9%; Marina Silva, com 14,8%; Ciro Gomes, com 6%; Jair Bolsonaro, com 5,8%; e Michel Temer, 5,4%. Os votos brancos e nulos somam 21,2%, e 8,9% estão indecisos.

No segundo cenário, Aécio Neves é substituído por Geraldo Alckmin. Nesse quadro, Lula lidera com 22,3% das intenções de voto; Marina Silva tem 16,6%; Alckmin tem 9,6%; Ciro Gomes, 6,3%; Michel Temer, 6,2%; e Jair Bolsonaro, 6,2%. Os votos brancos e nulos somam 24%, e 8,8% se declararam indecisos.

Já na disputa do segundo turno, a pesquisa mostra seis cenários diferentes. Aécio vence em duas disputas, contra Michel Temer e Marina Silva. Marina Silva derrota Temer e Lula. Nas disputas entre Aécio e Lula e entre Lula e Temer, a pesquisa aponta empate técnico.

A pesquisa CNT/MDA foi realizada entre os dias 2 e 5 de junho. Foram entrevistadas 2.002 pessoas em 137 municípios de 25 Estados. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

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