Pesquisa apura redução de violência em escolas do Rio

Ao abrir 165 escolas estaduais durante os fins de semana, dando às populações jovens opções de atividades culturais e esportivas, o programa Escolas da Paz apresentou reduções significativas em diversos indicadores de violência. Uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) com os diretores de 102 unidades mostra que, na percepção desses profissionais, situações de briga foram reduzidas em 70%. Os roubos diminuíram em 33%, os furtos em 48% e o tráfico de drogas em 18,5%. Os números se referem às escolas que estão no programa há dois anos.A parceria entre a Unesco, o governo do Estado e a iniciativa privada começou em agosto de 2000. Nas escolas que participam do programa apenas desde 2001, a redução é menor. Para o representante da Unesco no Brasil, o argentino Jorge Werthein, isso significa que os resultados são diretamente proporcionais ao tempo de implantação do Escolas da Paz. "Os índices são muito positivos e estatisticamente significativos. Quanto mais tempo, mais significativo é o impacto do decréscimo dos níveis de violência."Foram avaliados pelos diretores das 102 unidades itens como vandalismo, pichações, ofensas pessoais e humilhações, atos de indisciplina, uso de álcool nas escolas, interesse das comunidades pelas escolas, participação dos pais em atividades, relação entre professores e alunos e capacidade de aprendizagem. Os resultados considerados menos significativos estão em quatro itens: agressão sexual (redução de 3,7% nas escolas abertas desde 2000), tráfico de drogas (18,5), porte de armas de fogo (3,7%) e presença de gangues (14,8%).Um dos pontos destacado foi o baixo custo do programa. No Rio, onde é oferecida merenda, o custo é de R$ 2,00 mensais por cada jovem. Em Pernambuco, R$ 1,00. O projeto foi implantado também em outros estados, como a Bahia, Tocantins, Alagoas e Mato Grosso, sempre em regiões de grande violência. "Diante da eficácia e do baixo custo dessa medida, é absurdo pensar que se gasta R$ 1.500,00 por mês para colocar um jovem na Febem", afirmou o representante da Unesco. O secretário estadual de Educação, William Campos, acusou a gestão Anthony Garotinho (PSB) de deixar dívidas do projeto e propôs que o próximo governo amplie o programa para 500 escolas. Segundo Werthein, o Brasil tem hoje 32 milhões de jovens, com idade entre 15 e 24 anos. "É quase a população da Argentina, que tem 37 milhões de pessoas", observou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.