Pesquisa apura danos do álcool à qualidade de vida

O consumo excessivo de álcool pode ser mais prejudicial para a qualidade de vida do que doenças graves, como câncer ou diabetes. É o que mostra pesquisa realizada com 1.250 pessoas em toda a Europa e que será apresentada amanhã, no Rio, durante Encontro Internacional Brasil-Itália sobre Tratamento do Alcoolismo e Outras Dependências.O estudo foi coordenado pelo italiano Flavio Poldrugo, professor de psiquiatria da Universidade de Trieste (Itália) e diretor do Instituto Internacional de Medicina da Dependência. A pesquisa, realizada no ano passado para entender os benefícios do tratamento dos dependentes, revela que a grande maioria dos entrevistados sofre sérios danos físicos e mentais por causa do álcool. E o problema é subestimado pelas autoridades de saúde, porque acaba escondido pelas doenças causadas pelo vício. "O álcool não é registrado pelos serviços de saúde. O que vai para a ficha do paciente são os males que surgem em conseqüência do alcoolismo, como hepatite, câncer, depressão, problemas cardíacos e outros", diz Poldrugo.Segundo ele, a melhor estratégia para tentar recuperar alcoólatras e ainda economizar dinheiro da rede pública de saúde é tentar antecipar e prevenir o problema. Por isso, o professor agora quer realizar um estudo para saber a partir de quando o álcool deixa de ser algo que dá prazer e começa a prejudicar a qualidade de vida de quem faz uso. "Sabemos que o álcool pode até melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas não sabemos exatamente como e por quanto tempo. Por isso, vamos entrevistar quem ainda não bebe muito para entender quando a pessoa deixa de se beneficiar com o álcool e começa a sofrer", disse.Identificar o início da dependência é essencial para saber quando iniciar o tratamento, afirma o professor. Estudos mostram que, para evitar o vício, uma pessoa do sexo masculino deve evitar tomar mais de cinco unidades de álcool por dia (cinco latas de cerveja ou cinco pequenas taças de vinho). Para a mulher, o limite é de três unidades diárias. "Mas esse cálculo é arbitrário, e pode variar de acordo com o indivíduo. E é isso que precisamos entender melhor."O psiquiatra italiano também levanta a possibilidade de começar a tratar candidatos a alcoólatras antes mesmo do início do alcoolismo. Uma hipótese é indicar drogas precocemente para tentar reduzir o prazer do álcool e, em conseqüência, forçar a diminuição das doses.Para isso, Poldrugo está treinando os profissionais de saúde italianos para que eles consigam diagnosticar o início de alcoolismo mais cedo. "Estamos ensinando o médico a entrevistar o paciente e descobrir se ele bebe muito sem precisar falar sobre álcool. Se o médico questiona sobre o uso de cigarro, drogas, traumas e problemas psicológicos, consegue facilmente saber se ele bebe."

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