Pesquisa aponta que alto índice de índios têm hepatite no AM

Uma pesquisa realizada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) finalizada em dezembro do ano passado com 309 indígenas na região do Vale do Javari, às margens do Alto Solimões, em Atalaia do Norte, mostrou que 283 deles já tiveram Hepatite A e, o dado mais preocupante, que há 44 contaminados com o tipo B da doença. O índice aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para a Hepatite B, é de até 2%. Os exames constataram que o número de pessoas contaminadas chega a 14,2%. De acordo com o superintendente regional da Funasa, Francisco Aires, seis dessas pessoas, com casos mais graves de hepatite B combinada com a D, estão sendo tratadas desde outubro do ano passado, quando começou a pesquisa, no Hospital Militar de Tabatinga. "O medicamento para o tratamento é caro - o interferon -, e só com essas pessoas o tratamento já custou mais de R$ 700 mil, mas eles estão bem e devem voltar às aldeias ainda em fevereiro", disse. Segundo Aires, dos 44 contaminados, a maioria ainda não desenvolveu os sintomas da doença e houve casos de indígenas que não aceitaram ser removidos da aldeia para tratamento. A pesquisa não detectou entre os indígenas sífilis ou aids.A transmissão da Hepatite A ocorre quando há ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes humanas. A Hepatite B é transmitida em contato com sangue contaminado ou em relação sexual, assim como a D. Esses casos, do vírus B combinado com o D, costumam evoluir rapidamente para doenças do fígado, como cirrose e câncer. De acordo com Aires, agora há uma equipe atuando em três frentes. "Um engenheiro foi contratado pela Funasa e está em Atalaia para, ainda este semestre, planejar que chegue água potável a pelo menos 30% dos indígenas", afirmou. Também segundo o superintendente, foram compradas placas para captar energia solar para manter geladeiras com vacinas. "Como em boa parte do ano as secas dos rios da Amazônia impedem que o combustível chegue às aldeias mais distantes, a energia solar para manter as geladeiras foi a alternativa mais eficiente". A terceira frente é da educação, que será feita pelos agentes de saúde. "Os indígenas compartilham objetos de higiene como escova de dentes, lâminas, alicates de unha e os espinhos usados para as tatuagens. É cultural, mas teremos de explicar que o único modo de evitar a contaminação é não compartilhando esses objetos, além do uso da camisinha no ato sexual". Os indígenas da pesquisa são das etnias Kanamari, Kulina e Maiuruna. No Vale do Javari, onde há sete postos da Funasa, há 3,8 mil indígenas de seis etnias, além das citadas há Korubus, Matis e Marubus. Segundo Aires, a intenção é, até abril, realizar exames em todos os indígenas do Vale do Javari.

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