Pesquisa aponta alto índice de hipertensão entre estudantes

Um estudo realizado pela Faculdade de Ciências Médicas da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Sorocaba mostrou alta incidência de hipertensão arterial em estudantes matriculados no ensino médio. Dos 542 alunos pesquisados, com idade média de 17 anos, 15% apresentaram hipertensão. O índice é três vezes maior que a média norte-americana, onde o número de adolescentes obesos é superior ao do Brasil. A equipe da PUC fez a pesquisa aproveitando um trabalho de prevenção primária e detecção precoce da hipertensão arterial em estudantes matriculados nas escolas do município que vem realizando há três anos. A predominância entre os que apresentaram pressão arterial elevada é de rapazes com maior massa corporal ou obesos. "Ficamos surpresos com a alta prevalência de hipertensão nesta faixa etária", disse o professor de nefrologia da PUC, Fernando Antonio de Almeida, um dos coordenadores da pesquisa. Na avaliação do médico, a maioria dos alunos com pressão elevada tem familiares diretos portadores dessa mesma doença. "Apesar disso, a regra é desconhecerem a própria pressão arterial e não terem qualquer atitude preventiva ou de tratamento". De posse dos dados, os organizadores do projeto sugerem ações educativas na área da saúde, realizadas no ambiente escolar, como a medição anual da pressão arterial de todos os alunos dessa faixa etária e a criação de mecanismos que possibilitem o atendimento médico específico aos identificados como hipertensos. "O diagnóstico precoce e o tratamento adequado contínuo são fundamentais para o controle da hipertensão, evitando complicações tardias", disse o médico. A pesquisa faz parte de um trabalho de iniciação científica coordenado pelos professores da disciplina de nefrologia da faculdade. Os estudantes do quinto e sexto anos visitam escolas públicas e privadas apresentando palestras sobre hipertensão arterial, doença assintomática e desconhecida pela maioria de seus portadores, considerada importante fator de risco para complicações cardiovasculares e renais. Segundo Almeida, a prevenção primária será mais efetiva e de maior impacto se realizada numa faixa etária onde a prevalência da doença é conhecida.

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