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Pesos diferentes

Com o fim da Copa, e o início efetivo da disputa eleitoral, o horário gratuito na televisão é aguardado pelos candidatos como propulsor das campanhas, o que vale mais para a oposição do que para a presidente Dilma Rousseff, já beneficiária de uma intensa e privilegiada exposição propiciada pelo cargo.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2014 | 02h01

É fato que a candidata à reeleição, pela própria missão de governo, mantém-se em evidência cotidiana e, ainda que se restringisse aos limites da legislação eleitoral, o que não foi o caso até aqui, está diariamente na casa do eleitor, a qualquer pretexto, quando quiser.

Essa visibilidade, no caso de Dilma, vem acompanhada dos resultados de seu governo, mal avaliado em áreas essenciais e paralisado por uma estagnação econômica, o que explica o pouco efeito de sua ampla exposição na mídia.

Nesse contexto, o dado significativo é que, embora conhecida por 99% dos entrevistados, a presidente só alcança o apoio formal de 38%, o que reforça a conclusão de que a televisão torna-se essencial para Aécio e Campos, que dependem de mais visibilidade, mas não para Dilma.

Seus índices negativos mais caíram que subiram, exceção para o período da Copa do Mundo, cujo êxito como evento registrou leve melhora no humor da população, provavelmente já neutralizada pela tragédia futebolística diante da Alemanha.

De qualquer forma, seria efêmero o efeito do êxito na organização do torneio. A percepção do gargalo da infraestrutura urbana, da inflação, do fim do poder de consumo, do endividamento das famílias, entre outros dramas cotidianos, voltará com a vida real, findo o poder amistoso da Copa.

Já para os candidatos de oposição, o período de propaganda na televisão é crucial, posto que as pesquisas indicam que o líder na pesquisas, Aécio Neves, é desconhecido por 16% do eleitorado e seu rival, Eduardo Campos, por 36%.

Mesmo assim, numa simulação de 2.º turno, perderiam para a presidente por porcentuais de apenas 7% e 13%, respectivamente. Sem dúvida, um cenário que autoriza otimismo com relação à exposição na televisão, que será isonômica na segunda etapa da eleição.

Em desvantagem abissal na distribuição do tempo, a oposição terá o desafio da síntese com qualidade para transmitir sua mensagem e apostar também na fase dos debates, em que o governo se valerá basicamente do passado, que não lhe é favorável, com pouco poder de persuasão quanto à oferta de futuro.

A televisão também não tem poder de reverter as alianças estaduais já consolidadas, como seria desejável para o governo, que constituem forte influência na militância durante a campanha.

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