Peso da CPMF no bolso do consumidor é pequeno, diz Mantega

Em entrevista à Broadcast Ao Vivo, ministro diz que defesa pelo fim de CPMF parece campanha política

Célia Froufe, Marisa Castellani e Luciana Xavier, da Agência Estado,

17 Outubro 2007 | 16h46

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sugeriu nesta quarta-feira, 17, durante a milésima entrevista realizada pelo Broadcast Ao Vivo, que a defesa combativa de "alguns setores da economia" pelo fim da cobrança da CPMF pode estar relacionada a fins políticos. "Não sei por que certos setores empresariais cismaram com a CPMF. Até parece uma campanha política de alguém querendo alguma outra coisa", afirmou.   Na avaliação do ministro, a CPMF talvez seja um dos tributos mais insignificantes do País. "O peso no bolso do consumidor é pequeno. Tanto, que a maioria nem sabe quanto paga de CPMF, não se dá ao trabalho de ver quanto pagou em sua movimentação financeira", alegou, acrescentando ainda que a contribuição não atinge a população de baixa renda, por ser isenta.   Veja também: Ouça a entrevista com Guido Mantega  Governo estuda isentar CPMF de quem ganha até R$ 1,2 mil Fracassa blitz do governo pela CPMF Governo pode enviar projeto paralelo de redução CPMF Lula cobra lealdade da base no Senado para prorrogar CPMF Dê sua opinião sobre a CPMF  Entenda a cobrança da CPMF  Áudios da Agência Estado analisam tendências de economia e política Agência Estado comemora a marca de mil entrevistas Ouça avaliação sobre alta do calote no varejo  Ricardo Amorim inaugura o serviço em agosto de 2002  Ouça entrevistas selecionadas por nossos editores  Conheça a história da Agência Estado  Veja como as entrevistas são produzidas AE Broadcast é base para tomada de decisão AE responde à popularização do mercado Tecnologia robusta garante rapidez, precisão e transparência na divulgação de 40 mil cotações   Mesmo nas transações mercantis, segundo ele, a CPMF representa perto de 1% do conjunto de tributos que incidem sobre os produtos. "Em automóvel, por exemplo, que tem carga tributária de 42%, a CPMF representa 1,13%. Veja sua insignificância", comparou.   Outros tributos   Para Mantega, se houvesse críticas do setor produtivo a tributos, elas deveriam ser a outros impostos e contribuições, que têm alíquotas muito maiores, como ICMS e o Imposto de Renda. "Mas a crítica é à CPMF, que, coitadinha, representa 1% de alguns produtos e, para a população de baixa renda, menos ainda do que isso."   Da mesma forma, segundo Mantega, afirmar que a contribuição é um obstáculo ao setor produtivo também é um exagero. "Dizer que ela atrapalha os negócios é uma incongruência com o momento que estamos vivendo. Mesmo com a existência da CPMF, a indústria está acelerando sua atividade. Está produzindo mais, vendendo mais, faturando mais. Então não está sendo atrapalhada pela CPMF", concluiu.   O ministro acredita que uma desoneração maior para o cidadão poderia ser por meio da folha de pagamento, com a redução dos tributos que incidem sobre os salários. "Isso tem impacto mais favorável à produção do que a CPMF", comparou.   A vantagem da cobrança da contribuição, segundo Mantega, é que se trata de algo universal. "Inclusive, e particularmente, os sonegadores. O sonegador não escapa da CPMF", destacou.

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