Perto da eleição, oposição não ataca reajuste do Bolsa-Família

DEM e PSDB mudam o tom; 'Com o aumento da inflação, o reajuste é inevitável', afirmou ACM Neto, líder do DEM

Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, de O Estado de S. Paulo,

26 de junho de 2008 | 18h28

Perto da eleição, a oposição mudou o discurso e, no lugar de reagir criticamente ao reajuste de 8% do Bolsa-Família, apoiou a medida. "Com o aumento da inflação, o reajuste é inevitável. O pobre não pode pagar a conta", afirmou o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA). Candidato a prefeito de Salvador, ele descartou o caráter "eleitoreiro" do reajuste. "Cada situação é uma situação", sustentou. Para o deputado do DEM, o governo errou ao não agir antes, deixando ocorrer aumento da inflação. Veja Também:Patrus diz que reajuste do Bolsa-Família está 'dentro da lei'Em ano eleitoral, Lula reajusta Bolsa-Família acima da inflaçãoVeja os principais programas sociais do governo Lula  Na mesma linha, o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), avaliou que o incremento de 8% no programa Bolsa-Família é necessário por conta da incompetência do governo". "A inflação saiu do controle, agora não dá para penalizar os mais pobres", afirmou.  Para Maia, "eleitoreira foi a redução da Cide" (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) para a gasolina, o que, segundo o governo, compensaria o reajuste de 10% nas refinarias. "Quer reduzir a Cide combustível para livrar a classe média foi, sim, eleitoreira. Agora, não dá para não reajustar (o Bolsa-Família) já que houve inflação sobre os alimentos", prosseguiu o presidente do DEM. Ainda no DEM, o senador Heráclito Fortes (PI), não quis entrar no mérito se o reajuste do Bolsa-Família "é justo ou injusto". "A medida, no momento em que foi tomada, é inoportuna", disse. O líder do partido no Senado, Agripino Maia (RN) disse que a medida "é eleitoreira e cavilosa", mas que o DEM nada fará para impedir o reajuste. Entre os tucanos, o discurso não foi muito diferente. O líder do partido na Câmara, deputado José Aníbal (SP), defendeu o reajuste. "Ele é importante, já que a cesta básica foi aumentada", defendeu.  Para o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), não há dúvida de que o aumento do Bolsa-Família é eleitoreiro. Mas por coincidir com uma inflação que cresce, especialmente no preço de alimentos, só pode ter "o apoio e a compreensão" de seu partido. "O governo jogou com o óbvio, há uma carência nessa população decorrente dos custos crescentes e era preciso atendê-la", alegou. "No atual quadro, não podemos nos opor, mas não resta dúvida de que há uma forte conteúdo político-eleitoral". O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) lamentou que a iniciativa, apesar de favorecer uma parcela carente da população, mostre que o governo optou em beneficiar seus candidatos nas eleições municipais, em vez de se preocupar em adotar medidas para conter os gastos públicos. "Acho que o aumento chegou num momento péssimo, reforçando a suspeita de que vai ser utilizado eleitoralmente", afirmou. "Pior, ainda, chegou no momento em que há uma onda inflacionária provocada pelo descontrole dos gastos públicos". Na sua opinião, ficou claro que o governo está focado numa única meta: "o de querer beneficiar seus candidatos, mostrando que é bonzinho no momento eleitoral". O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) também saiu em defesa do aumento anunciado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, no dia anterior. "Se tem inflação tem que ter reajuste", afirmou, categoricamente. O tucano, porém, reconheceu que tal medida, faltando apenas quatro meses para as eleições municipais, soa como "medida eleitoreira". "O momento é inoportuno e, por isso, enfatiza o caráter eleitoreiro. Mesmo que o presidente diga que não, o reajuste será usado por seus aliados durante a campanha eleitoral", destacou o senador do PSDB. Com o reajuste anunciado pelo governo, o valor mínimo do Bolsa-Família ficará em R$ 19,72. 

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