Perícia sobre procuração fraudada é inconclusiva, diz PF

Exame grafotécnico realizado pela Polícia Federal constatou "elementos de convergência, mas insuficientes para conclusão categórica" de que as assinaturas lançadas nas procurações forjadas em nome de Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, filha e genro do presidenciável do PSDB, José Serra, partiram do punho do contador Antônio Carlos Atella Ferreira.

AE, Agência Estado

27 de setembro de 2010 | 10h03

Indiciado pelos crimes de uso de documento falso e quebra de sigilo, Atella fez uso das falsas procurações para protocolar e retirar na delegacia da Receita em Santo André cópias das declarações de renda de Verônica e Alexandre, em 29 de setembro do ano passado. A violação de sigilo da filha e do genro de Serra foi o episódio mais agudo do escândalo que abalou a Receita.

O laudo grafotécnico é assinado pelo perito João Paulo Arnoldi Moracci. A conclusão dele é baseada na comparação das falsas assinaturas da filha e do genro de Serra nas procurações com o material gráfico fornecido por Atella no dia em que prestou seu primeiro depoimento à PF. O delegado Hugo Uruguai Bentes Lobato, que preside o inquérito sobre a as quebras de sigilo em série na Receita, intimou o contador a prestar novo depoimento amanhã. "O delegado diz que precisa verificar alguns detalhes do interrogatório dele", afirma o criminalista Alexandre Clemente, que defende Atella.

Em outra perícia realizada por solicitação do delegado, a PF constatou que as falsificações das procurações forjadas em nome de Verônica e Alexandre só poderiam ser identificadas por um expert em registros cartorários - ou seja, enganaria o cidadão médio. Pela análise do selo holográfico de segurança, suspeita-se que o falsário tenha xerocado um selo autêntico para fraudar os documentos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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