Perícia do acidente de Alcântara será difícil

Até pelo menos seis horas após o incêndio que destruiu o Veículo Lançador de Satélite (VLS), a temperatura era extremamente alta no local, impedindo que a perícia realizasse um levantamento preliminar das causas do acidente e recolhimento dos corpos. "Quando chegamos, quatro horas após o acontecido, ainda ouvimos estalos e vigas de ferro caindo", lembrou o diretor do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Maranhão, José Ribamar Cruz Ribeiro, em entrevista à Agência Estado. Ribeiro tem consciência de que será praticamente impossível fazer levantamentos detalhados da causa do acidente, por tratar-se de uma investigação envolvendo informações técnicas. "Vamos requisitar todo o material possível, inclusive imagens externas e internas da Aeronáutica para podermos tentar fazer o laudo final", afirmou o diretor, ressaltando que o comando do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) se dispôs a prestar todas as informações e apoio técnico necessário ao trabalho. O diretor do Instituto de Criminalística acredita que, por causa do incêndio, houve algumas explosões no interior da torre de 32 metros, onde ficava o foguete prestes a ser lançado. "Não sabemos, por ser uma questão técnica, onde ocorreram e se havia e onde estavam os explosivos", disse o perito. "Mas a Aeronáutica nos prestará informações sobre isso." Pela violência do acidente, Ribeiro já descartou a possibilidade de distinguir onde estavam os técnicos no momento do incêndio. "O que vimos foi um monte de ferro retorcido, corpos totalmente carbonizados e, por isso, seria difícil mostrar a posição de cada um", diz o perito, um dos que chegou mais próximo do VLS pouco depois do acidente. "Estava muito quente e, naquele momento, já observamos o cheiro forte de que havia pessoas mortas."Lula no velório O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai acompanhar nesta quarta, em São José dos Campos (SP), o velório de parte dos técnicos da Base de Alcântara (MA), mortos na explosão do foguete VLS-1, na sexta-feira passada. Até o momento, já foram identificados doze dos 21 corpos encontrados após o acidente.A cidade paulista é sede do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), ao qual eram vinculados os técnicos mortos na explosão. Os corpos ainda não identificados vão permanecer no Instituto Médico Legal (IML) de São Luís (MA) até que possam ser reconhecidos por meio de exame de DNA.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.