Perícia da igreja em Pirenópolis deve ser concluída amanhã

As Polícia Civil deve concluir neste sábado a perícia para identificar as causas do incêndio que destruiu a Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, a mais antiga de Goiás, construída no século XVIII por escravos. O ministro da Cultura, Francisco Weffort, antecipou-se ao laudo final, que não tem prazo final para ser apresentado, e já descartou curto-circuito como provável origem do fogo. Essa foi uma das hipóteses levantadas diante da denúncia de que havia gambiarra no interior da igreja. O Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) tem registro de boa parte da igreja, que começou a ser construída em 1.728, por causa da restauração concluída há três anos, que consumiu US$ 1 milhão. Porém, o trabalho agora é diferente, não é uma mera reconstituição. "A originalidade está perdida, teremos de partir para réplica", observa o superintendente do Iphan em Pirenópolis, Silvio Cavalcanti, que estima um prazo de 3 a 5 anos e "muito dinheiro" para reinaugurar a matriz. Segundo ele, o prejuízo é inestimável.Só sobraram paredes de taipa de pilão (barro socado com melaço de cana) e os alicerces de pedra. O fogo destruiu a decoração barroca, os castiçais de prata, as porcelanas francesas do século XVII, os afrescos no teto e os cinco altares banhados a ouro, além das estátuas dos dois anjos esculpidos em 1.770, pendurados na entrada da nave principal. Lenda popular na região diz que, quando os dois anjos tocassem as trombetas, o mundo se acabaria. Viraram cinzas como todo o interior da igreja. O pároco da matriz, Luiz Virtuoso, com a ajuda de vizinhos da igreja conseguiu ainda salvar 13 imagens, entre elas a de Nossa Senhora do Rosário, de origem portuguesa esculpida no século XVII, e a de Nossa Senhora das Dores e a do Senhor Morto. O Iphan já começou ontem a cercar a igreja com tapumes para proteger a obra e afastar curiosos que correm o risco de serem atingidos por algum destroço das paredes que ainda podem desmoronar. Nos últimos oito anos, incêndios destruíram quatro patrimônios históricos. Um deles foi o telhado da igreja de Mariana (MG). O ministro Weffort reconhece que é necessário um cuidado extra nas cidades detentoras dessas relíquias por parte de órgãos de defesa e dos governos. Em Pirenópolis, por exemplo, a brigada de Corpo de Bombeiros não tinha caminhão-pipa para combater o incêndio.

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